quinta-feira, 9 de abril de 2026

O pecado original da mídia: o roteiro de A Guerra dos Mundos


Orson Welles (1915-1985), então com 23 anos, foi sem dúvida o personagem principal da história que se passou por trás dos microfones e, no dia seguinte, também diante das câmaras e nas manchetes dos jornais. Mas, como todo produto da mídia eletrônica, A Guerra dos Mundos foi uma produção coletiva e pelo menos outros dois autores de peso contibuiram com ele para o sucesso da obra: o escritor inglês Herbert George Wells (1866-1946), autor do romance em que se baseou o programa, e o roteirista Howard Koch (1901-1995), responsável pelo trabalho mais pesado na hora da adaptação.

Quarenta anos antes de Welles, H.G. Wells já conquistara a fama com o lançamento do romance: A Guerra dos Mundos foi publicada pela primeira vez em folhetim, na revista inglesa Pearson's Magazine, entre abril e novembro de 1897. No ano seguinte, saiu em livro, ampliada na forma de romance, e começou a ser traduzida por todo o planeta. Cem anos depois de seu lançamento, o livro de H.G.Wells é unanimemente reconhecido como uma das obras primas que serviram de matriz para todo o desenvolvimento posterior da literatura de ficção científica. Contemporâneo do francês Júlio Verne, Wells foi o primeiro a imaginar uma invasão extraterrestre e a descrever um ser alienígena.

No final do Século XIX, quando do lançamento do livro, a possibilidade de existência de vida inteligente em Marte era seriamente considerada pela ciência, mas não havia ainda sido tratada pela literatura. Wells não somente estava a par do conhecimento científico de sua época, como também antecipou no livro algumas tecnologias que ainda povoam o imaginário sobre os E.Ts. um século depois: raios laser, máquinas voadoras, máquinas de guerra em forma de aranhas, robots e armas químicas. E, o mais fantástico de tudo, criou tudo isso a partir de uma Londres que ainda se movia principalmente a cavalo e era iluminada à noite com lampiões a gás.

Howard Koch, o roteirista novato e ainda desconhecido do Mercury Theatre on the Air da CBS, recebeu a tarefa de adaptar o texto literário para o rádio. Assim como ocorreu com Welles, o sucesso de A Guerra dos Mundos também catapultou Koch para a milionária indústria do cinema, e em 1942 ele ganharia um Oscar pelo roteiro de Casablanca (cuja estatueta leiloou, um ano antes de morrer, para pagar a universidade da neta).

Mais do que uma adaptação, Koch fez uma recriação do livro, aproximando a estória - no tempo e no espaço - do cotidiano dos ouvintes e introduzindo o próprio rádio como protagonista dos acontecimentos narrados, sem desperdiçar a força dramática já presente no texto que consagrara o autor inglês. Curiosamente, num depoimento de 1968, o roteirista relata que várias vezes propôs a Welles desistir do texto e escolher outra obra, pois não gostou de fazer aquela adaptação. Mas a obstinação do diretor do Mercury Theatre levou A Guerra dos Mundos, que seria seu projeto favorito, até o final, sem se preocupar muito com as vontades - nem com as noites de sono - de seus subordinados na equipe, obrigados a trabalhar sem horário até satisfazer o chefe.

Como se tratava de um programa semanal, o roteiro foi todo produzido em seis dias, de terça a domingo (o roteirista, como tantos profissionais de rádio, tinha folga nas segundas). Koch conta que escrevia a lápis, e que seus manuscritos eram datilografados por uma estagiária na CBS. O script foi feito e refeito uma dezena de vezes, conforme as críticas e sugestões de Orson Welles e do produtor John Houseman a cada uma das versões apresentadas. Só foi considerado pronto um pouco antes do programa ir ao ar.

Já está no romance a abertura genial da estória, que no rádio conservou a força e amplificou o efeito de empatia pretendido pelo autor do livro: descreve como as pessoas na terra seguiam vivendo a sua vida normal, ocupadas com seus vários afazeres, esperanças e ilusões cotidianas, "sem se darem conta de que a vida no planeta vinha sendo observada por inteligências superiores às nossas, porém tão mortais quanto somos, que nos examinavam assim como examinamos os microorganismos que povoam uma gota d'água". Nesta introdução, o roteirista apenas atualizou o presente da narrativa, transferindo "o olhar invejoso e sem simpatia dos marcianos", originalmente postado na vida inglesa do fim do século, para o contexto americano em 1938.

No final da década de 30, o que mais os americanos mais gostavam de fazer era ouvir rádio, e é aí que o veículo entra em cena como protagonista central da estória. Já no segundo minuto da peça, somos levados a esquecer que estamos ouvindo uma obra de ficção, pois aparentemente esta foi interrompida por um boletim metereológico absolutamenre verossímil. Em seguida, estamos acompanhando um programa de música ao vivo, entrecortado por boletins de notícias, que a princípio são bastante realistas e tornam-se cada vez mais frequentes.

O uso de boletins de notícias foi uma idéia de Welles, segundo o depoimento de Koch. Mas se a introdução do rádio na estória é uma criação da equipe novaiorquina, a notícia já representara um elemento narrativo importante no romance de H.G. Wells. Porém, de forma diferente: na invasão de Londres pelos marcianos, os personagens da estória original eram ávidos consumidores de jornais, em cujas edições extras procuravam informações para entender o caos que tomara conta "da mãe de todas as cidades" do auge do Império Britânico. Mas em A Guerra dos Mundos de Welles, a mãe de todas as cidades agora era Nova York, umbigo do novo império, e Nova York vivia ligada no rádio. A diferença fundamental, em relação ao romance, é que nesta nova versão os personagens da estória não são apenas ouvintes de rádio - o que representaria a mera atualização dos personagens-leitores de jornal, passivos: agora, os personagens falam pelo rádio. E, mais do que falar entre si, falam diretamente aos ouvintes.

Pode-se dizer que esta inversão, sutil e raramente notada pelos críticos, foi o que colocou o rádio como o protagonista central da estória, e em consequência inscreveu A Guerra dos Mundos na História real deste século. Não é por mero acaso que este se tornou o programa mais falado da História do Rádio. Ao colocar o rádio no enredo, a equipe de Welles reforçou a invasão marciana de Wells com todo o potencial dramático do meio, que na época vivia sua adolescência, com apenas dezoito anos de experiência desde a fundação da primeira emissora regular, a KDKA de Pittsburgh, também nos Estados Unidos.

Não se sabe até onde a equipe premeditou os efeitos do programa sobre o público. No depoimento, Howard Koch conta que foi dormir logo depois de ouvir a irradiação em sua casa, e que só soube do estrago que havia causado no dia seguinte, ao ler as manchetes dos jornais calmamente sentado na cadeira do barbeiro. Provavelmente, previra apenas provocar alguma empatia no público, com sua escassa experiência de seis meses em seu primeiro emprego regular. De qualquer forma, o programa realizado a partir de seu script revelou ao mundo algumas potencialidades do rádio como meio de expressão que não haviam sido ainda claramente percebidas, enquanto o "sem fio" era pensado apenas como um suporte imperfeito para a transmissão de obras teatrais e literárias produzidas para os olhos.

A transmissão ao vivo, no tempo real do público, característica dos meios eletrônicos, apareceu como uma das principais possibilidades expressivas utilizadas pela equipe do Mercury Theatre com maestria. Para tirar partido dela, o roteirista comprimiu o tempo dramático da história original. No romance, desde a observação, pelos astrônomos, da ocorrência de estranhas explosões no planeta Marte, lançando raios em direção à Terra, até a chegada das naves marcianas a nosso planeta, passam-se nada menos do que seis anos - o tempo calculado para a viagem. No rádio, o percurso não demora mais do que seis minutos, tempo ocupado por uma entrevista com "o astrônomo Pearson", que desdenha a possibilidade de existir vida inteligente no planeta vermelho, e pela execução da música La Cumparsita, pela "Orquestra de Ramon Raquello", que estaria tocando "no Salão Meridian do Hotel Park Plaza". Em consequência, a relação causa-efeito entre o fenômeno observado pelos astrônomos e a queda de um objeto não-identificado na terra, que no livro é explicitada pelo autor, no rádio é inferida antes pelo público, o que o leva a questionar as palavras do entrevistado. No tempo real do público, a estória se passou toda em 44 minutos, mas o tempo dramático e o tempo subjetivo em que se desdobram, a partir daí, todos os acontecimentos narrados, certamente foi o que permitiu o efeito de realidade capaz de iludir, até o desespero, uma grande parcela do público.

A ubiquidade da transmissão e de recepção, e a portatibilidade desta última, são algumas das características da comunicação eletrônica que o rádio inaugurou e de certa forma continua utilizando de forma única. Graças a estas características, continua sendo o meio com maior penetração social - batendo a TV em volume de audiência durante 18 horas por dia - e o que goza de maior credibilidade, apesar do prestígio da imprensa e do sucesso da televisão.]

É esta mobilidade, em ambos os polos do processo comunicativo, que permite, ocasionalmente, a ocorrência de uma fusão de contextos - o da transmissão com o da recepção - fundindo, como observou BARTHES (1984), o acontecimento com o seu relato. Este fenômeno ocorre em muitas situações corriqueiras - como na reportagem de serviço, com o trânsito, ou no estádio de futebol - e fornece à informação do rádio um argumento de autoridade difícil de igualar. Em consequência, a impressão de realidade, que no audiovisual custa tanto esforço construir e se torna tão fácil de desmascarar, no rádio ocorre quase naturalmente, construída no cérebro do ouvinte com a solidez do mundo real que o envolve e que percebe mesclado com o som do receptor. O escritor William BURROUGHS (1968) imaginou utilizar este efeito para provocar uma "revolução eletrônica". Howard Koch e Orson Welles fizeram com ele uma guerra virtual.

Haja criatividade. Richard Pearson, o professor de astronomia que na estória do rádio é o personagem principal, sequer existia no livro. Lá, o astrônomo, chamado Ogilvy, é um personagem secundário, que cai fulminado com os raios de calor disparados pelos extraterrestres no início do romance. O personagem principal do livro era nada menos do que um filosófo, que narra toda a estória na primeira pessoa. A substituição possivelmente foi decidida num esforço de simplificação, em parte justificável pelas características do veículo, em parte pelas características do público-alvo, na época do rádio generalista movido pelo show-business.

A simplicidade é um imperativo do meio e de sua linguagem. Esta lei é sustentada por todos os teóricos do rádio, desde os seus primórdios, quando já começaram a notar a incompatibilidade entre as formas demasiadamente complexas e o veículo exclusivamente auditivo. Está expressa nos alemães KOLB (1931) e ARNHEIM (1936), nos franceses FUZELIER (1965) e TARDIEU (1969) , no belga Theo FLEISHMAN, que fez as primeiras normas de redação para o radiojornalismo na Europa, e no escritor italiano Carlo Emilio GADDA, que as estabeleceu para a RAI na década de 40. Portanto, tecnicamente, a simplificação da estória, com a substituição do filósofo pelo astrônomo, pode ter sido uma boa solução. Porém, do ponto de vista estético, houve uma inegável banalização do tema, o que certamente foi uma das razões da revolta de H.G. Wells com o uso que os americanos fizeram de sua obra. (SARRAUTE, 1976).

O escritor inglês, um humanista convicto, havia pensado A Guerra dos Mundos sobretudo como um questionamento a respeito da civilização, e especialmente do imperialismo de seu país, que na época dominava o mundo. A brutalidade dos marcianos, que se alimentavam de sangue humano, matavam sem necessidade aparente e transformavam tudo a seu alcance em cinzas, é a todo momento comparada, pelo personagem-filósofo do romance, com os genocídios praticados pelos europeus contra os povos por eles colonizados, à crueldade corrente com os animais e à arrogante destruição da natureza por parte de seus compatriotas.

Muito pouco sobrou, desta "moral da estória", na versão do rádio. Talvez a equipe de Orson Welles não fosse tão sensível a estes temas, provavelmente a empresa que pagava os seus salários também não o era, e certamente eram preocupações alheias à cultura de um império emergente, na qual o Mercury Theatre da CBS estava inserido. À moda americana, no programa de rádio todo o mal é encarnado em uma pessoa, um psicopata com que topa o professor Pearson em sua caminhada, e que pretende aprender com os marcianos para depois dominar seus semelhantes e conquistar o mundo. A semelhança com Hitler e Stálin, na época já temidos e demonizados como virtuais inimigos do mundo livre, é mais do que evidente. No livro, este personagem também existe, mas não pensa em dominar ninguém, sua loucura é só de pensar em ser capaz de derrotar os extraterrestres.

O rádio empobreceu A Guerra dos Mundos pela simplificação, mas também aumentou a sua força dramática. Contribuiu para isso, além do tempo real da narração, o fantástico poder de sugestão da palavra sonora e invisível. MCLUHAN (1964) observou que o rádio toca em profundidades subliminares da mente, e que as palavras desacompanhadas de imagem, como quando conversamos no escuro, ganham uma textura mais rica e mais densa. RODRIGUES (1988) relaciona a força psicológica do rádio à voz primordial que ouvimos no útero da mãe, e BANG (1991) atribui ao mesmo fenômeno o poder emocional da música. DE SMEDT (!992) observa que o som nos toca e nos envolve. Como BAKHTIN (1979), salienta que percebemos o visto como algo externo ao corpo, enquanto o que ouvimos ressoa dentro de nós.

O poder de evocação da palavra já é imenso na literatura, e foi utilizado com destreza por H.G. Wells para conduzir a imaginação de seus leitores a uma ruptura da vida cotidiana pela entrada em cena de seres improváveis, superiores e hostis. No rádio, a mesma descrição do suspense de sua chegada, da perplexidade diante de máquinas incompreensíveis e do asco provocado pela aparência dos monstros sai da forma congelada da palavra escrita para tomar vida na angústia, na surpresa e no horror expressados por gargantas humanas. Neste aspecto, Koch pouco alterou a obra do escritor.

Conservando basicamente as mesmas descrições fantásticas, o programa de rádio apenas se encarregou de dar-lhes voz, acrescentando o subtexto da interpretação dos atores com Welles no papel principal. WEISS (1992) propõe que uma mente paranóica atribui à voz desencarnada do rádio as mesmas prerrogativas atribuídas ao Deus judaico-cristão: ubiquidade, panopticismo, onisciência e onipotência. Para BACHELARD (1949), que equiparou a escuta do rádio ao devaneio, a ausência da imagem é a chave para penetrar no mundo interior do ouvinte.

Em alguns momentos, o roteirista utiliza efeitos sonoros - quase sempre para ilustrar um som já referido no romance, como o tic-tac da maquinaria do observatório astronômico ou o zumbido vindo da nave marciana tombada no campo. Mas os efeitos sonoros são reduzidos, diante da complexidade da situação expressa na estória: o que não soa, no rádio, só pode ser expresso pela palavra. Assim, na maior parte das vezes, Koch opta pela palavra, desdobrando em diálogos, entrevistas radiofônicas e boletins de notícia o que no livro é contado em monólogo pelo personagem principal. Para dar ritmo - e efeito de realidade - à narrativa, utiliza um grande número de testemunhas verossímeis e habitués do rádio, como agências de notícias, autoridades, cientistas, militares e "homens comuns".

Apenas no último terço da peça, o roteiro começa a desfazer o engano provocado nos ouvintes, pelo abandono do formato de programa musical/jornalístico adotado desde o início. Aos poucos, o rádio vai deixando de ser protagonista da estória, e a solução encontrada para tanto também é genial: a emissora é destruída pelos marcianos. Só a partir daí, com a continuidade da narrativa, o público pode se tranquilizar com a certeza de estar lidando com ficção. Mas é provável que muitos, já em estado de pânico, não tenham se dado conta tão facilmente disto.

A última parte do script segue um modelo mais tradicional de radiodrama. O rádio sai de cena como protagonista, e se transforma outra vez em veículo para a expressão dos personagens em seu mundo de ficção. O diálogo, agora, não é mais com o ouvinte, mas dos personagens entre si. O comandante com o artilheiro no canhão, o aviador com a torre de comando, o professor Pearson com o psicopata e, por fim, ele só, no monólogo que conta o desfecho da estória: a morte de todos os até então invencíveis marcianos, derrotados pelas bactérias terrestres, e a retomada da vida normal no planeta. A música utilizada, com tema místico, também muda de papel: já não interrompe a estória, mas serve de fundo para enfatizar-lhe o clima. Aqui é onde a estrutura narrativa mais se aproxima do romance, embora haja mais diálogos e outras adaptações determinadas pela diferente natureza do veículo.

A equipe de Welles foi fiel a H.G. Wells em vários aspectos e, onde não pôde ser, muitas vezes procurou soluções que o aproximassem das intenções do autor do livro. Como no caso das interrupções musicais, que criam o ritmo de respiração tão importante para a criação do suspense. No romance, este efeito é conseguido pela intercalação de cenas da chegada dos marcianos com outras absolutamente cotidianas, como a pausa dos protagonistas para o chá das cinco, ou a descrição dos vendedores ambulantes que aproveitam a presença da multidão em torno da primeira nave para oferecer suas mercadorias.

Em seu depoimento, Koch conta que escolheu a localidade de Grovers Mills para a descida dos marcianos apontando para o mapa de olhos fechados, e que a confirmou porque o nome soava bem (a comunidade local agradece, construiu um Museu sobre A Guerra dos Mundos e até hoje fatura com turismo graças a esta escolha aleatória). Mas até a transferência do cenário, da região de Londres para a de Nova York, e também para um presente de quarenta anos após, segue a lógica do romance, que já procura identificação e empatia com o público. Neste ponto, a equipe do Mercury Theatre só pode ser responsabilizada por ter ido um pouco longe demais, ou por não haver se dado conta de que, no rádio, o efeito desta empatia seria totalmente diferente.

Além do tempo real e da fusão psicológica dos contextos, o autor de um script para o rádio tem que ter outro cuidado em relação à maneira como sua mensagem será recebida pelo público: o permanente zoom auditivo (CEBRIAN HERREROS, 1983) entre o ouvir intencionado e o escutar sem atenção, que caracteriza a audição de qualquer programa, requer a reiteração permanente das principais informações, pois estas podem não ser objeto da atenção do público que se dispersa a cada momento. A audição de rádio se caracteriza por um zapping perceptivo (FENATI) entre os estímulos sonoros que saem do receptor, e os demais estímulos auditivos, visuais, olfativos e táteis do contexto da recepção que concorrem pela atenção do ouvinte. Desta forma, a confusão provocada nos ouvintes por A Guerra dos Mundos, para ser evitada, requereria a reiteração, diversas vezes, ao longo do programa, da informação de que se tratava da adaptação de um romance.

De nada adiantou Orson Welles explicar, no final da estória, que tudo não passara de uma brincadeira pelo tradicional Dia das Bruxas: o estrago estava feito. A tênue fronteira entre dois gêneros do discurso radiofônico, o jornalismo e a ficção, já havia sido arrombada. Comprovou-se, então, o que teóricos da linguagem, como BAKHTIN e BARTHES procuram demonstrar há décadas: os gêneros do discurso não pertencem unicamente aos emissores, são também propriedade do público, forjados por cada cultura num diálogo social ininterrupto que se perde nas raízes do tempo. O desrespeito a esta construção coletiva leva à incomunicação ou à convulsão.

Desde então, os limites entre os diversos gêneros têm sido mais fortemente patrulhados, pelos códigos de ética e pelas legislações de radiodifusão de todos os países. Em consequência, A Guerra dos Mundos será sempre lembrada como uma espécie de "pecado original" da mídia. E o roteiro assinado por Howard Koch, produzido sob a orientação do diretor Orson Welles e do produtor John Houseman, como uma autêntica obra prima, que revelou todo o poder da magia do rádio, inclusive para iludir o público, tanto em causas boas e belas, como a da arte e a do entretenimento, como em outras, mais trágicas, como a da exploração da ignorância das massas para mobilizá-las à guerra e mantê-las sob domínio.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Introdução ao Jornalismo

 




Glossário Rádio



Abertura: Início dos programas ou dos trabalhos de uma estação de Rádio ou Tv. O tema (musical) de um respectivo programa ou a introdução feita pelo locutor, é conhecido também como abertura.

Acústica: Estudo do som, sua natureza e características.

Acorde: Som usado para separar as manchetes das notícias. 

Alcance: Distância aonde chega o sinal da emissora. Na mesma emissora, ele é variável, quer pela diferente qualidade dos receptores, quer por condições de recepção. 
O alcance depende também da faixa de freqüência, do horário de recepção e da potência que a emissora usa naquele momento.


Ambiente: Sons que dão idéia do local da transmissão. Podem ser ouvidos ao fundo de narrações, de entrevistas ou isolados em pequenos trechos no meio das matérias. Som ambiente.
Alto falante: Aparelho que transforma energia elétrica em energia acústica. Em cidades do interior os serviços de alto-falante se transformam em verdadeiras emissoras de rádio prestando serviços à comunidade.
Amarrar informações: Ligar todos os dados levantados em uma matéria, de forma ordenada e disciplinada, para que não fique solta, frouxa.

Amplificação: Processo do aumento do nível de um sinal específico (tensão ou corrente elétrica) através de determinado sistema de transmissão ou de recepção. Visa a reduzir, dentro dos parâmetros de uma qualidade preestabelecida, os ruídos e distorções.

Amplificador: Circuito, equipamento e sistema que efetuam a amplificação através de determinado sistema de recepção ou transmissão.

AM: Sigla de Amplitude Modulada. Sistema de transmissão de sinais eletromagnéticos realizados através da modulação da amplitude (ou comprimento) das ondas, em freqüências que variam de 550 a 1600 Khz. 
As faixas de OM (Ondas Médias), OT (Ondas Tropicais) e OC (Ondas Curtas) adotam esse tipo de modulação.


Âncora: Comunicador que comanda um programa ou uma cobertura, cabendo lhe a chamada de repórteres, entrevistas ao vivo ou por telefone, emissão de comentários, interligação de assuntos ou de aspectos de um assunto. 

Agência de Notícias: Empresas nacionais e internacionais que produzem e fornecem matérias jornalísticas por meios diversos de transmissão (rádio, TV, internet, teletipo) aos seus assinantes, empresas de comunicação pública ou privada.

Ângulo: O lado pelo qual uma informação jornalística pode ser abordada a partir de diferentes pontos de vistas.

Agente: Pessoa que representa os artistas junto às empresas de comunicação.

Ao vivo: Transmissão feita no momento exato do acontecimento.

Apresentador: Profissional que apresenta as atrações dos programas de entretenimento ou jornalístico. Pode atuar também como animador realizando entrevistas, organizando debates e etc.

Apagador: Aparelho que cria um forte campo magnético para apagar gravação.

Apuração: Levantamento, investigação dos detalhes de um acontecimento visando transformá-lo em notícia.
Segundo Kipling a apuração deve responder as seguintes questões:
A) o que ocorreu? B) por que ocorreu? C) quando ocorreu? D) onde ocorreu? E) como ocorreu? F) quem se envolveu na ocorrência?


Arquivo: Material antigo catalogado que serve como referência para complementar a cobertura de um acontecimento atual. Os arquivos podem ser impressos, gravados em fitas (imagens e sons) ou armazenados no disco rígido do computador. 

Audiência: Conjunto de pessoas que estão sintonizando ou assistindo o mesmo programa.

Audímetro: Aparelho que mede a audiência. Permanece ligado no rádio ou na TV dos ouvintes e registra a quantidade de emissoras que estão sintonizadas. Contudo para medir com mais precisão a audiência é necessária uma pesquisa de campo entrevistando um grande universo de pessoas.

Barreiras Verbais: As barreiras podem prejudicar o entendimento da mensagem, confundir a audiência e os participantes de um programa jornalístico.
Barreiras que põe em dúvida a fala do interlocutor ou do jornalista entrevistador:
Está entendendo? Está ouvindo? Está acompanhando o raciocínio? 
Barreiras que se repetem durante a fala de entrevistado.
Sabe como é? Aí eu peguei e disse. Isso não é nada e tal e coisa.
Barreiras que fazem referência às raças e nacionalidades com tom pejorativo.
Judeu turco gringo neguinho caipira polaco papa-goiaba
Barreiras com credo político.
Comunista entreguista nacionalista reacionário
Barreiras que interrompem a fala do entrevistado ou do entrevistador.
Nossa! Puxa vida É? Incrível
Barreiras que usam tratamento familiar por parte do entrevistado e do entrevistador.
Você o senhor meu velho meu irmão meu amor meu chapa
Barreiras que se referem os defeitos ou características físicas.
Caolho tampinha pintinho gaguinho
Barreiras como os insultos mesmo que por brincadeira.
Pilantra sacana boa vida malandro
Barreiras dos cumprimentos inoportunos.
Salve oi, ouvintes alô, cambada•.
Barreiras como às saudações exageradas.
Como vai esta figura ilustre? Como vai essa inteligência brilhante? 
Barreiras como às interferências flagrantes. 
Você está louco Mentira! Ah!Esta eu quero ver Feche a boca
Barreiras com apelos a terceiras pessoas.
Este aqui é o fulano que não deixa mentir. Falou-se que......
Background: Música, vozes ou ruídos usados ao fundo de uma transmissão. O mesmo que BG (bege). 
O BG não deve prejudicar o som da fala.


Barriga: Notícia inverídica.

Bastidores: Quem não está em cena. Acontecimento que ainda não foi revelado ao público.

Bloco: Conjunto de notícias, músicas e demais informações situado entre dois intervalos comerciais, nas emissoras mantidas pela propaganda ou institucionais nas emissoras públicas.

Break: Expressão inglesa usada em algumas emissoras para designar o intervalo comercial. 

Briefing: Resumo das instruções transmitidas pela chefia aos responsáveis por um trabalho. Os repórteres geralmente saem para a cobertura de determinado acontecimento com um briefing do caso.

Bater: Falar próximo ao microfone, produzir um som desagradável como uma voz alta com ruído.

Boletim: Breve informativo transmitido pelo próprio repórter sobre assunto abordado em entrevista, ou baseado em informações que não foram gravadas. 0 boletim deve começar com o lide da matéria e conter observações paralelas (ambiente estado de espírito do entrevistado, etc.). Exemplo de boletins noticiosos: Copa do mundo – Olimpíadas – do local de um grande desastre – trânsito - informação do tempo e etc.

Branco: Espaço de tempo em que o ouvinte nada escuta, porque a fala é interrompida. Em matérias editadas, este silêncio é eliminado através de emendas. Ao vivo, não há como evitar a catástrofe. O mesmo que buraco.

Cabeça de matéria: O mesmo que lide. Abertura de uma notícia ou reportagem. É o fato mais importante, destacado logo no início da informação para prender a atenção do ouvinte. 
Geralmente a cabeça é lida pelo apresentador no estúdio. Deve-se evitar sempre sua repetição no texto ou na locução ao vivo que se segue. 


Cabeçalho: Dados que devem constar no alto da lauda: título da matéria, crônica ou editorial, programa, data em que irá ao ar e nome do redator. Os editores devem acrescentar ao cabeçalho o horário em que o material será transmitido e podem acrescentar informações que não vão ao ar, como a pronúncia correta de uma palavra de outra língua.

Cachê: Pagamento eventual, feito a artista, jornalista ou outro profissional, por participação em programa ou por direito autoral.

Cartucho: Chassi que contém fita magnética pronta para entrar em funcionamento, bastando introduzi lo na câmara ou gravador. 

Central: Onde ficam aparelhos e técnicos que recebem os sinais sonoros que irão para o ar. Dela, se fazem contatos com repórteres por linhas telefônicas, viaturas, linhas diretas e estúdios de gravação.
Grava e equaliza, edita e manda para a mesa que porá no ar a matéria.


Chamar o repórter: Atividade do apresentador do programa, quando, no ar introduz uma matéria.

Cabina de Locução: Compartimento a prova de som, onde é feita a locução do programa.
Caco: fala improvisada.

Chamada: Gravação sobre matéria ou programa transmitido várias vezes durante a programação, para despertar o interesse do ouvinte.

Cobertura: (1) Reportagem completa sobre acontecimento importante, no local de sua ocorrência.
(2) Área de atendimento, dentro de contornos prefixados de uma emissora de radiodifusão.


Cobrir: Transmitir evento ou acontecimento.

Cadeia: Conjunto de emissoras de rádio e TV, ligadas a uma mesma empresa ou afiliadas a uma emissora líder.

Cadeia Nacional: Sintonia simultânea de todas as estações de rádio e emissoras de TV para a transmissão de um comunicado oficial. 

Comunicado: Informação oficial de entidade de direito público ou privado.

Contato: Profissional que contata agências e anunciantes, para promover o veículo e vender o tempo para inserções publicitárias.

Co-patrocínio: Forma de patrocínio em que dois ou mais anunciante participa dos custos de veiculação.

Cozinha: Trabalho de reescrever (adaptar, atualizar e condensar) textos.

Deixa: (1) Palavras finais da matéria que indicam ao operador e ao locutor o momento em que outro segmento ou bloco deve entrar. 
(2) Trechos de gravação que constam da matéria editada e que são redigidos no texto para o locutor/apresentador saber quando fala de novo.


Dat: Sigla em inglês de Gravador Digital de Sons. Gravação de alta qualidade em fitas digitais. É semelhante aos cassetes. 

Decupagem: Processo de registro da ordem e da duração das diversas seqüências de uma reportagem gravada. Usada em rádio e TV para melhor identificar a matéria durante a edição.

Decibel: Unidade de medida relativa entre dois níveis de potência. Para medir o som costuma se adotar como ponto de referência a mínima potência acústica perceptível pelo ouvido humano. 
Em aparelhos sonoros de gravação e reprodução são adotadas outras referências, o chamado nível zero, que corresponde à máxima potência conveniente para uma reprodução sem distorções.


DJ: Disc jockey, apresentador de programas musicais.

Dubbing: Processo de cópia de gravação em outra fita ou em outro disco de computador.

Edição: Montagem de uma matéria, que inclui seleção, corte e emendas de trechos da gravação. 
Preparo das gravações originais antes de serem transmitidos, com a supressão de trechos considerados desnecessários ou incompreensíveis. Ela pode ser feita fisicamente, com cortes e colagens na fita, ou digitalmente, no computador.


Edição especial: Produção de um programa em edição diferente das habituais. Quando o Papa João Paulo II visitou o Brasil, a Rádio Itatiaia de Minas Gerais, fez uma edição especial de sua visita, que, posteriormente, foi transformada em disco.

Edição extraordinária: Trabalho radiojornalístico que não estava programado, diante de fato importante e atual. Exemplo: A reforma administrativa assinada pelo presidente. Os atentados acontecidos nos Estados Unidos. Uma edição extraordinária é precedida de sinais sonoros bem marcantes.

Editor: Aquele que faz a edição, que resolve como a matéria vai ao ar, suprimindo alguns trechos, valorizando outros. O editor de um programa se encarrega da sua produção total. 0 mesmo que produtor. O editor de área (política, economia, assuntos internacionais) é responsável pelo trabalho radiojornalístico de determinada área ou setor.

Editor geral ou editor responsável: É a pessoa que assume, para efeitos jurídicos, a responsabilidade total sobre o conteúdo posto no ar pelo Departamento Jornalístico, onde não há diretor na área.

Editorial: Texto opinativo, escrito de maneira impessoal, sem identificação do redator, e que reflete o pensamento do veículo.

Emissora: Empresa que produz e transmite mensagens de comunicação de massa por meio de radiodifusão.

Encerramento: Trecho final de um programa ou de uma matéria. 0 encerramento de uma matéria deve mencionar nome e função do entrevistado e repetir a informação mais importante transmitida durante a entrevista. De novo frisamos: o ouvinte não pode reler o que ouviu.

Efeito especial: Recurso sonoro (vento, chuva, trânsito etc.) produzido pelo sonoplasta.

Equalização: Correção eletrônica de sinais de gravação e de reprodução, para compensar as deformações na intensidade das freqüências, de forma a diminuir a distorção e fazer com que o som reproduzido se assemelhe ao original.

Equalização de linha: Processo de compensação dos sons agudos quando o som é transmitido por linhas telefônicas.

Exclusividade: Cobertura de um acontecimento ou transmissão de uma notícia realizada apenas por uma emissora.

Externa: Programação ou gravação realizada fora do estúdio.

Enquête: Levantamento de testemunhos públicos.

Extra: Notícia que devido à sua grande importância justifica a interrupção da programação, a qualquer momento, para ser transmitida.

Entrevista: Diálogo entre repórter e fonte, sob forma de perguntas e respostas.

Entrevista coletiva: Acontece quando a personalidade atende a imprensa em conjunto, respondendo a perguntas de todos os repórteres.

Enviado especial: Repórter que viaja com a missão de realizar um trabalho radiojornalístico especial, não do dia a dia.

Fechamento: Horário imposto pela redação para o recebimento de matérias para os radiojornais. Nos boletins de notícias, o fechamento ocorre cinco minutos antes de eles irem para o ar.

Fitas de rolo: Fitas de gravação usadas em gravadores de rolo.

Fitas cassete: Fitas de gravação usadas em gravadores do tipo cassete.

Fita magnética: Fita revestida em uma das faces por material magnético que registra ou reproduz os sinais transmitidos pela cabeça do gravador, que variam em freqüência e intensidade.

Flash: Um boletim, dado pelo repórter.

FM: Abreviação de Freqüência Modulada, sistema de transmissão em que a onda portadora, na faixa de 88 a 108 MHz, é modulada em freqüência. 
As transmissões em FM sofrem menos incidência de ruídos e apresentam maior fidelidade de resposta. 
Os carros de reportagem externa são freqüentemente chamados de viaturas de freqüência modulada, por transmitirem nessa faixa.


Foca: Jornalista novato.

Free lance: Ou "frila": Jornalista contratado para fazer um determinado trabalho. Não faz parte do quadro fixo da redação.

Fone: Dispositivo eletroacústico apropriado para a audição individual.

Freqüência: Parâmetro usado para caracterizar a repetição de determinado fenômeno. É o número de vibrações por segundo de uma onda ou corrente alternado, medida em hertz.

Fora do ar: Estação que não está transmitindo.

Fundo: O mesmo que background OU BG. São as músicas, ruídos ou sons de determinados ambientes que servem de suporte para a fala. Sons de fundo.

Furo: Notícia divulgada em primeira mão.

Gancho: Uma razão que justifica a matéria e a torna oportuna.

Ganho: Relação entre a entrada e a saída de um sistema de gravação, transmissão e amplificação medida em decibéis. Um som fraco produzirá também um sinal muito fraco no microfone, que, para ser reproduzido satisfatoriamente, deverá ter seu controle de volume elevado, para aumentar o ganho.

Gillette press: Expressão usada em tom de zombaria para mostrar o hábito de produzir matérias através de recortes de jornais.

Girafa: Suporte de fixação do microfone.

Gravador: Aparelho que converte o som em sinais magnéticos correspondentes, por meio de um microfone ligado a um amplificador. Esses sinais geram variações na intensidade de um campo magnético, e são gravados em uma fita de plástico revestida de uma camada de óxido de ferro, magnetizada em toda a sua extensão. Para reproduzir os sons, passa se a fita por uma cabeça magnética reprodutora, na mesma velocidade usada na gravação. 0 magnetismo armazenado na fita induz oscilações de tensão na bobina do eletroímã da cabeça, produzindo sinais elétricos que são amplificados e reconvertidos em som por meio dos alto falantes.

Hertz: Unidade de medida de freqüência, equivalente a um ciclo por segundo. Ao dizermos 70 Hz, isso significa que a corrente oscila (muda de direção) setenta vezes por segundo.

Imprensa marrom: É a imprensa que vive do sensacionalismo. 

Inserção: Cada uma das vezes em que se veicula um anúncio. Inserção de um trecho de uma gravação no meio de uma reportagem.

Identificação: Texto gravado que deve ser irradiado pela emissora com identificação do nome da empresa, localidade, freqüência e tipo de emissão (OM, OT, OC, FM), além do prefixo.

Institucional: Propaganda que promove imagem favorável de um produto ou instituição. 
O objetivo não é a venda, mas a criação de atitude favorável do público em relação ao que se está anunciando. Associar a empresa a campanhas que favorecem o uso do leite materno. Campanha contra o fumo.


Jabá: Gíria que significa picaretagem no serviço de uma emissora, como por exemplo, à veiculação de notícia ou música a partir de propina ou outro favor qualquer. 0 mesmo que jabaculê.

Janela: Intervalo que se deixa em programas de rádio para a inserção de um ou mais comerciais. Espaço de alguns segundos, deixados num jingle, para a locução.

Jingle: Anúncio musical, Bem feito, valoriza muita a mensagem comercial.

Jogar no ar: O mesmo que pôr no ar, irradiar ou transmitir.

Jornal: Noticiário transmitido pela rádio. 

Jornalismo: Departamento de uma emissora que apura, processa e transmite as informações.

Lauda: Folha padronizada onde é redigido o texto do programa, com as marcações para a técnica.

Levantar matéria: Investigar dados que darão origem a reportagem ou entrevista.

Limpar: Apagar uma fita. 

Linha: Trajetória de envio e retorno de um sinal elétrico que pode ser dotada de amplificadores a intervalos regulares para cobrir grandes distâncias. 

Linha (2): Postura editorial da emissora. 

Linha permanente ou lp: Linha telefônica especial instalada para ligar os locais onde ocorrem regularmente fatos jornalísticos e os estúdios das emissoras.
Ligação direta com órgãos geradores de informação, como Detran, Prefeitura, aeroportos, estádios. 0 mesmo que linha externa, ou LP.


Linha presa: Diz se da linha telefônica que está sendo usada para gravação.

Locução: Trabalho que consiste em se expressar diante dos microfones da rádio, lendo textos. Os DJ. (disc jóqueis) improvisam.

Locutor: Aquele que faz o trabalho de ler textos. O locutor de manchetes fala com voz projetada, enfática, para atrair a atenção do ouvinte; o locutor de comerciais faz somente a locução de comerciais; o locutor esportivo narra competições esportivas.

Manchete: Notícias em destaque no início dos radiojornais ou de cada uma de suas seções, ressaltando, em não mais que uma linha de texto, os aspectos mais importantes ou mais recentes das informações contidas no noticiário que vem a seguir.

Matéria: Resultado de apuração de assunto, já com formato de reportagem ou entrevista.

Material: Dados da matéria em andamento (estatísticas entrevistas). Elementos de matéria pronta (laudas, cartucho).

Mesa de controle: Mesa onde são misturadas as diversas fontes de sons que formam um programa de rádio. Através dela passam os sons dos microfones, dos gravadores, das linhas telefônicas, dos discos ou dos CDs e são controlados os seus volumes. 
Elas geralmente são operadas por um técnico, mas em muita emissora, isso é feito pelo próprio apresentador.


Mídia: (1) Os meios de comunicação de massa. (2) Veículo escolhido para divulgar determinada propaganda.

Microfonia: Defeito de instalação de áudio em que o som dos alto falantes retoma ao microfone provocando forte ruído. Isso ocorre com freqüência em rádio quando o entrevistado por telefone também está ouvindo o rádio e não reduz o volume.

Minicassete: Gravador pequeno que utiliza fitas cassete.

Mixagem: Processo de misturar e combinar várias entradas de som, com a mesma intensidade ou com intensidades diferentes. Mixar é o verbo correspondente.

Mixer: Equipamento que combina sinais de diversas entradas em uma saída comum.

Módulo: 0 mesmo que bloco.

Monitor: (1) Equipamento de alta precisão, usado para verificar a qualidade do som que está sendo gravado, produzido no estúdio ou em externas.
(2) Alto falante instalado nos estúdios de locução, gravação, na sala de controle ou em outras dependências de uma emissora de rádio, para acompanhamento do que está sendo transmitido.


Narração: Exposição oral sobre o fato jornalístico, que precisa ter destaque maior do que opiniões e impressões pessoais. Logo, a narração utiliza mais verbos do que adjetivos. O termo é mais usado com referência a transmissões esportivas. 
0 narrador da partida expressa os lances de um jogador e os movimentos da bola e precisa dar emoção ao que fala. Rádio não é televisão. Nesta última, a pessoa vê. Pelo rádio, precisa ver través do narrador.


No ar: Expressão que significa estar um programa sendo transmitido naquele momento. A lâmpada vermelha acesa na porta de um estúdio indica que o que se fala ali está no ar.

Nota: Pequena notícia, destinada à informação rápida.

Nota de falecimento: Notícia curta, que deve ser lida com respeito, sobre a morte de uma pessoa.

Notícia: Relato de um fato jornalístico, de interesse e importância para a população.

Noticiário: Programa que apresenta notícias. 0 mesmo que jornal falado.

Off: Forma abreviada de off the Record. Informação confidencial, prestada ao jornalista, com a condição de não ser divulgada.

Operador: Técnico que aciona os comandos da mesa de controle para a transmissão do programa.
Ouvinte: Aquele que recebe a comunicação radiofônica. Motivo e fim de todo o trabalho do rádio.

Parábola: Antena refletora usada em links. 

Parada de sucesso: Seleção de sucessos musicais por ordem de vendagem.

Passar informação ou passar matéria: Transmitir, por telefone, matéria gravada à central técnica.
O repórter se comunica, em primeiro lugar, com a central técnica, daí o passar.


Passar um flash: Registrar um flagrante da cidade, de maneira concisa e objetiva.

Patrocinador: Anunciante (empresa, produtor, produto ou instituição que custeia total ou parcialmente a transmissão de programas de rádio).

Patrocínio: Pagamento da produção de um programa de rádio, com interesses institucionais ou publicitários.

Pausa: Interrupção temporária de uma fala ou de qualquer efeito sonoro.

Plugar: Conectar ou injetar som. 

Prefixo: Sigla alfanumérica, determinada pelo Governo Federal, que identifica cada emissora. 

Press release: Texto distribuído por instituição privada ou governamental, com notícia de seu interesse, visando à divulgação gratuita. É preparado por assessorias de imprensa e enviado às redações. 0 mesmo que release.

Programação: Seqüência de programas e intervalos no rádio. 

Propaganda: Conjunto de atividades (criação, edição, veiculação e promoção) destinadas a influenciar o público com relação a: um produto, serviço, marca ou idéia e doutrina. 
Embora muitos considerem sinônimos, propaganda e publicidade, propaganda tem sentido mais abrangente, ao passo que a publicidade significa especialmente a propaganda comercial.


Público-alvo: Parcela da população à qual é dirigida a mensagem. Segmento do público que se pretende atingir e sensibilizar com uma campanha, anúncio ou notícia.

Pauta: Roteiro de trabalho do repórter elaborado pela redação (ou pela chefia de reportagem).

Perda: O volume de saída do som é menor do que o da entrada.

Prefade: Dispositivo que permite ouvir e modular um som antes de ele ir para o ar. É usado normalmente para verificar os níveis de volume.

Picotar: Pequenos cortes seguidos numa transmissão externa. "0 som está picotado."

Pipocando ou estourando: Quando o som, especialmente das consoantes, parece "estourar" porque o locutor está falando muito perto do microfone. 

Pingue Pongue: Perguntas feitas pelo apresentador a um repórter, dentro ou fora do estúdio. Pode ser também uma entrevista baseada em perguntas curtas e diretas, com respostas rápidas.

Povo fala: Uma série de depoimentos curtos de pessoas, obtidas geralmente na rua e editadas em seqüência.

Potenciômetro: Aparelho que permite o controle do volume de graves, agudos, balanço etc.
Quilohertz: 1000 hertz 1 ciclo por segundo.

Radioescuta: Profissional a quem compete levantar informações para a redação e a reportagem, ouvindo outras rádios. 
Ele acompanha o noticiário das emissoras concorrentes ou de outras cidades e as faixas de serviço para coletar informações que possam gerar pautas na sua redação.


Radiojornalismo: Jornalismo veiculado por rádio.

Redator: Profissional que redige notícias, notas, crônicas e editoriais.

Registro: Entrada rápida do repórter no ar, apenas para informar um fato, deixando de lado os pormenores. Nome em Português para flash.

Relatório: Resumo de matéria feita e de informações obtidas em off, que deve ser diariamente apresentado à chefia.

Reportagem externa: A que é realizada fora das dependências da emissora.

Repórter: Profissional que faz reportagem. Função fundamental em emissoras que tenham no jornalismo o forte de sua programação. É a "cara" da rádio.

Serie de reportagens: Matérias independentes relacionadas entre si pelo mesmo tema.

Retranca: Expressão retirada do jornalismo impresso e utilizada para identificar, por meio de uma só palavra, determinada matéria. Serve para identificar as matérias nos roteiros, nos cartuchos ou nos arquivos dos computadores.

Reunião da pauta: Reunião periódica de editores para selecionar os assuntos que serão cobertos naquele dia, ou em determinado período do dia. 

Setor: Área de ação de um repórter. 

Setorista: Repórter, encarregado de cobrir determinado setor: Aeroporto, Câmara Municipal, Bolsa de Valores, Assembléia Legislativa, Prefeitura, Polícia, etc.

Script: Roteiro para gravação ou veiculação de um radiojornal.

Slogan: Frase concisa, marcante, incisiva e atraente que apregoa a superioridade de um produto.

Spot: Comunicação breve em rádio, de 15 a 30 segundos, de mensagem comercial ou institucional. 
Exemplo: - Não deixe de vacinar seu filho no dia 16 de agosto -.


Sugestão de pauta: Assuntos indicados por um profissional da emissora, que podem ser abordados em matéria.

Suíte: Continuidade de um fato jornalístico, com acréscimo de novos elementos que o atualizam.
Som ambiente: Vozes, ruídos e músicas características de um local e que servem de fundo para uma entrevista ou reportagem.

Sonoplasta: Profissional encarregado de selecionar e adequar às sonorizações e efeitos sonoros, editados antecipadamente, gravados ou não, que compõem um programa radiofônico.

Splice: O processo de cortar e depois colar dois pedaços de uma fita para efeito de edição.

Técnica: Conjunto de todas as instalações de produção, gravação, processamento, e reprodução do sistema de controle nas emissoras de radiodifusão.

Texto: Qualquer matéria, comercial ou jornalística, escrita para ser lida no rádio.

Tape: A fita magnética utilizada para gravações.

Teaser: Breve e instigante chamada para promover uma notícia ou um programa que vem a seguir.

Tráfego: Expressão usada nas emissoras comerciais para identificar o departamento que organiza os blocos de propaganda para transmissão.

Unidade móvel: Equipamento instalado numa viatura para a execução dos serviços de reportagens externas.

Unidade portátil: o mesmo que HT e walkie talkie.

Unidade Móvel: Viatura equipada com todos os recursos para realizar gravações e transmissões externas.

Up link: Transmissão de sinais de rádio, em alta freqüência, de uma antena terrestre para um satélite, proporcionando recepção de alta qualidade.

UHF: Sigla em inglês de Freqüência Ultra Alta, de 30 a 300 MHz. 

Vinheta: Mensagem transmitida no intervalo de programas, composta de um pequeno texto, música e efeitos sonoros, de conteúdo variado. Chamada para uma matéria ou programa, campanha institucional, ou comemorações.

VHF: Sigla em inglês de Freqüência Muito Alta, de 300 a 3000 MHz.

Zumbido: Ruído contínuo, de baixa freqüência, semelhante a um ronco.