segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

A ascensão do jornalismo no WhatsApp: prós e contras

 

 porNatasha Tynes | Jan 4, 2022 em Jornalismo móvel



Eu presenciei muitas mudanças no processo de apuração sendo jornalista freelancer por quase 25 anos. Desde o envio de matérias via fax ao envio de um email pela primeira vez, ao uso do Skype e Zoom para entrevistas, a tecnologia mudou a produção de notícias de forma significativa e rápida.

Uma nova tendência que tenho testemunhado recentemente, especialmente em países fora dos Estados Unidos, é a ascensão daquilo que gosto de chamar de "jornalismo no WhatsApp".

Criado em 2009, o WhatsApp é o serviço de mensagens mais popular em mais de 100 países. Ele tem mais de 2,5 bilhões de usuários ativos e é um dos poucos aplicativos com mais de cinco bilhões de downloads.

Como jornalistas usam o WhatsApp

Muitos jornalistas usam o WhatsApp para entrevistar fontes usando o recurso de mensagens de voz, especialmente em locais onde linhas telefônicas não são confiáveis.

"Eu uso bastante, especialmente para cobrir notícias no Iêmen, já que é difícil conseguir uma linha telefônica confiável por lá. Eu acabo enviando as perguntas pelo WhatsApp e recebo as respostas em texto ou áudio", diz Amjad Tadros, jornalista vencedor do Emmy e repórter da CBS em Amã, na Jordânia.

Enquanto isso, Nabih Bulos, correspondente estrangeiro no Oriente Médio para o Los Angeles Times, diz que usa o WhatsApp em suas reportagens pelo menos "50% do tempo".

"Eu uso o WhatsApp nas minhas reportagens, seja para procurar canais de notícias que enviam alertas, seja para entrar em contato com pessoas onde a conexão com a internet é boa, mas o serviço telefônico não, ou ainda para manter contato com as fontes", conta Bulos à IJNet. "É essencial, simplesmente essencial."

Bulos diz que usou o WhatsApp na Síria para contatar as pessoas, já que o número de WhatsApp permanece com o proprietário quando ele se muda para outro país. "Quando cobri a crise migratória em 2015, encontrávamos pessoas pela estrada. Quando elas finalmente conseguiam uma conexão com a internet, podíamos entrar em contato com elas via WhatsApp", explica.

De acordo com Matt Navarra, consultor de mídias sociais e analista da área, o WhatsApp pode ser uma ferramenta valiosa para jornalistas por diferentes razões:

  • Usar o WhatsApp para fazer perguntas a uma fonte, testemunha ou especialista traz um ótimo senso de intimidade e informalidade entre o jornalista e o entrevistado. É útil especialmente quando a pessoa entrevistada se sente ansiosa ou é cautelosa nas respostas.
  • As mensagens do WhatsApp são criptografadas, o que é particularmente importante quando se está conversando com informantes ou fontes cujas circunstâncias demandam confidencialidade rigorosa e privacidade. Os jornalistas podem perceber que usar o WhatsApp deixa a fonte à vontade, ao contrário de uma ligação, email ou entrevistas presenciais, que podem fazê-la se sentir mais vulnerável.
  • As mensagens de áudio do WhatsApp podem fornecer aos jornalistas respostas mais ricas e com nuances, o que pode faltar em uma resposta escrita.
  • O WhatsApp pode ajudar jornalistas que fazem reportagens em trânsito ou que estão com um prazo apertado. O WhatsApp e outros aplicativos de mensagens criptografadas permitem que jornalistas obtenham, com rapidez e segurança, detalhes para uma matéria que podem ser instantaneamente repassados aos colegas na redação.

As desvantagens

Usar o WhatsApp para fazer reportagens traz seus próprios riscos e desvantagens.

"Meu problema com o jornalismo no WhatsApp é que muitos jornalistas confiam exclusivamente nele para falar com pessoas que eles não conhecem pessoalmente", diz Bulos. "Foi o caso especialmente da Síria, já que o acesso era um problema. Os jornalistas entravam em contato com uma pessoa que dizia estar em uma determinada área. Não há como provar que ela estava naquela área."

A principal preocupação de Bulos é a facilidade de enganar usando o WhatsApp. "Você pode cair na armadilha de ser enganado e fazer algo bem idiota".

Manter a privacidade e confidencialidade com o WhatsApp é outro problema.

"Os jornalistas precisam manter os níveis mais altos de segurança para dispositivos móveis para proteger a privacidade e confidencialidade das trocas de mensagens no WhatsApp entre eles e a fonte para uma matéria", explica Navarra. "Isso pode ser atenuado com a ativação de recursos de segurança adicionais, como o FACE ID [ferramenta de reconhecimento facial] para abrir o WhatsApp, e com senhas e PINs complexos nos aparelhos. O uso de mensagens temporárias também pode ser útil quando se discute informação sensível em conversas no WhatsApp."

Para Tadros, uma das desvantagens do uso do WhatsApp para reportagens é a perda da natureza espontânea da reportagem e as conversas no estilo bate-bola. "Além disso, a fonte de alguma forma tem a vantagem de pensar antecipadamente nas respostas e elas acabam ficando insossas", aponta.


Foto por Dima Solomin no Unsplash.

https://ijnet.org/pt-br/story/ascens%C3%A3o-do-jornalismo-no-whatsapp-pr%C3%B3s-e-contras. 

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Jornalismo em vídeos curtos: tendência ou realidade?

Blog / Mundo Maven / Jornalismo em vídeos curtos: tendência ou realidade?

13.12.2021









Uma das principais novidades que as mídias digitais trouxeram para o jornalismo é a produção de conteúdo em vídeo. Se antigamente apenas as emissoras de televisão apostavam nesse formato, atualmente, rádios, jornais e portais de notícias também utilizam os vídeos para noticiar.

Quem visita com frequência as redes sociais, os sites ou páginas de jornais brasileiros na internet já deve ter notado como tem sido grande o uso de vídeos. Entre fotógrafos de jornais cresce a busca por treinamentos e cursos com filmadoras digitais e no site  DigitalJournalism, os cursos sobre vídeo já tem mais alunos trabalhando na mídia impressa do que no cinema e TV.

Grandes jornais como o The New York Times publica diariamente uma seção de vídeos jornalísticos com até quatro reportagens produzidas por seus repórteres e cronistas. Além disso, o Times tem um blog chamado Medium, especializado em vídeos online. O jornal The Washington Post tem uma seção chamada Voices On com uma coleção de entrevistas feitas com personalidades das mais diversas áreas. 

No Brasil os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, publicam pelo menos dois vídeos em cada uma das suas edições online, nos confirmando que esse formato de jornalismo deixou de ser uma exclusividade da televisão. Outro exemplo é o portal G1, do conglomerado Globo, o portal possui farta cobertura em vídeos digitais, mas isto não é nenhuma surpresa. 

O futuro da produção de vídeos jornalísticos

A transformação digital afetou seriamente as empresas de jornalismo. As notícias estão sendo produzidas e consumidas de forma diferente e todos os jornalistas precisam de estar atentos às novas necessidades do mercado. 

As notícias já não são produzidas como antigamente em que na página apenas continha textos longos com poucas imagens, isto é, atualmente entre o texto existem fotos, vídeos, infográficos, tabelas, podcasts, gifs e muitos outros recursos visuais.

O objetivo passa mais por entreter o leitor e melhorar o visual de cada notícia. O texto é cada vez mais curto, mas contém a mesma credibilidade e não altera o sentido e importância da notícia. 

O crescimento das reportagens em vídeo produzidas por jornalistas provenientes da mídia impressa é causa e consequência do fenômeno da convergência digital multimídia, o processo onde os formatos texto, audiovisual e interativo se integram usando a Web como plataforma tecnológica.

A diferença entre o vídeo digital e a televisão está no formato da narrativa. Enquanto a TV é linear e dá preferência a vídeos mais curtos, nas filmagens para sites da Web a estrutura ideal para contar uma história é a não-linear, ou seja, formada por blocos de conteúdos informativos que o navegador organiza segundo seus interesses. Por outro lado, a duração do vídeo online pode variar muito, e isso depende da história e da narrativa.

A migração de repórteres para o videojornalismo não é um acaso. Esse crescimento na visualização de vídeos é visto desde 2008 quando 10 bilhões de vídeos foram acessados na internet, segundo a empresa ComScore. 

Se você busca uma plataforma onde pode explorar não apenas a publicação de notícias tendo seu próprio portal e ainda fazer a publicação de vídeos jornalísticos, a Maven tem a solução perfeita para você.

Com o Maven GAZ é possível gerenciar todos os seus conteúdos numa única plataforma, pensada para Portais de Notícias e que está integrada a lógica de comunicação da atualidade e as exigências de um conteúdo multiplataforma. Ou seja, você pode publicar conteúdo em qualquer plataforma e em qualquer tela, e ainda  utilizar a mesma plataforma para gerenciar notícias, aplicativo mobile e publicidade.

Gostou desse conteúdo? Se sim, comenta o que achou aqui ou deixe sua sugestão de pauta, e se quiser continuar se mantendo atualizado sobre o mercado e quiser receber notícias, dicas e conteúdos que vão agregar à sua empresa siga a Maven nas redes sociais, nós estamos no Instagram e no Linkedin. Ou se preferir receber todas nossas atualizações diretamente no seu e-mail, se inscreva na nossa Newsletter! 


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sábado, 13 de novembro de 2021

Código de Ética dos Jornalistas

 


Capítulo I – Do direito à informação

Art. 1º – O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros tem como base o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange direito de informar, de ser informado e de ter acesso à informação.

Art. 2º – Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que:

I – a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários e/ou diretores ou da natureza econômica de suas empresas;

II – a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;

III – a liberdade de imprensa, direito e pressuposto do exercício do jornalismo, implica compromisso com a responsabilidade social inerente à profissão;

IV – a prestação de informações pelas organizações públicas e privadas, incluindo as nãogovernamentais, deve ser considerada uma obrigação social;

V – a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade, devendo ser denunciadas à comissão de ética competente, garantido o sigilo do denunciante.

 

Capítulo II – Da conduta profissional do jornalista

Art. 3º – O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social, estando sempre subordinado ao presente Código de Ética.

Art. 4º – O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação.

Art. 5º – É direito do jornalista resguardar o sigilo da fonte.

Art. 6º – É dever do jornalista:

I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;

II – divulgar os fatos e as informações de interesse público;

III – lutar pela liberdade de pensamento e de expressão;

IV – defender o livre exercício da profissão;

V – valorizar, honrar e dignificar a profissão;

VI – não colocar em risco a integridade das fontes e dos profissionais com quem trabalha;

VII – combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercidas com o objetivo de controlar a informação;

VIII – respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão;

IX – respeitar o direito autoral e intelectual do jornalista em todas as suas formas;

X – defender os princípios constitucionais e legais, base do estado democrático de direito;

XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos, negros e minorias;

XII – respeitar as entidades representativas e democráticas da categoria;

XIII – denunciar as práticas de assédio moral no trabalho às autoridades e, quando for o caso, à comissão de ética competente;

XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.

Art. 7º – O jornalista não pode:

I – aceitar ou oferecer trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial, a carga horária legal ou tabela fixada por sua entidade de classe, nem contribuir ativa ou passivamente para a precarização das condições de trabalho;

II – submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação;

III – impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de idéias;

IV – expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob risco de vida, sendo vedada a sua identificação, mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indicação de locais de trabalho ou residência, ou quaisquer outros sinais;

V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;

VI – realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas;

VII – permitir o exercício da profissão por pessoas não-habilitadas;

VIII – assumir a responsabilidade por publicações, imagens e textos de cuja produção não tenha participado;

IX – valer-se da condição de jornalista para obter vantagens pessoais.

 

Capítulo III – Da responsabilidade profissional do jornalista

Art. 8º – O jornalista é responsável por toda a informação que divulga, desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros, caso em que a responsabilidade pela alteração será de seu autor.

Art 9º – A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística.

Art. 10º – A opinião manifestada em meios de informação deve ser exercida com responsabilidade.

Art. 11º – O jornalista não pode divulgar informações:

I – visando o interesse pessoal ou buscando vantagem econômica;

II – de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes;

III – obtidas de maneira inadequada, por exemplo, com o uso de identidades falsas, câmeras escondidas ou microfones ocultos, salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas as outras possibilidades de apuração;

Art. 12º – O jornalista deve:

I – ressalvadas as especificidades da assessoria de imprensa, ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas;

II – buscar provas que fundamentem as informações de interesse público;

III – tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar;

IV – informar claramente à sociedade quando suas matérias tiverem caráter publicitário ou decorrerem de patrocínios ou promoções;

V – rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a realidade, sempre informando ao público o eventual uso de recursos de fotomontagem, edição de imagem, reconstituição de áudio ou quaisquer outras manipulações;

VI – promover a retificação das informações que se revelem falsas ou inexatas e defender o direito de resposta às pessoas ou organizações envolvidas ou mencionadas em matérias de sua autoria ou por cuja publicação foi o responsável;

VII – defender a soberania nacional em seus aspectos político, econômico, social e cultural;

VIII – preservar a língua e a cultura do Brasil, respeitando a diversidade e as identidades culturais;

IX – manter relações de respeito e solidariedade no ambiente de trabalho;

X – prestar solidariedade aos colegas que sofrem perseguição ou agressão em conseqüência de sua atividade profissional.

 

Capítulo IV – Das relações profissionais

Art. 13º – A cláusula de consciência é um direito do jornalista, podendo o profissional se recusar a executar quaisquer tarefas em desacordo com os princípios deste Código de Ética ou que agridam as suas convicções.

Parágrafo único. Esta disposição não pode ser usada como argumento, motivo ou desculpa para que o jornalista deixe de ouvir pessoas com opiniões divergentes das suas.

Art. 14º – O jornalista não deve:

I – acumular funções jornalísticas ou obrigar outro profissional a fazê-lo, quando isso implicar substituição ou supressão de cargos na mesma empresa. Quando, por razões justificadas, vier a exercer mais de uma função na mesma empresa, o jornalista deve receber a remuneração correspondente ao trabalho extra;

II – ameaçar, intimidar ou praticar assédio moral e/ou sexual contra outro profissional, devendo denunciar tais práticas à comissão de ética competente;

III – criar empecilho à legítima e democrática organização da categoria.

 

Capítulo V – Da aplicação do Código de Ética e disposições finais

Art. 15º – As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas, apreciadas e julgadas pelas comissões de ética dos sindicatos e, em segunda instância, pela Comissão Nacional de Ética.

§ 1º – As referidas comissões serão constituídas por cinco membros.

§ 2º – As comissões de ética são órgãos independentes, eleitas por voto direto, secreto e universal dos jornalistas. Serão escolhidas junto com as direções dos sindicatos e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), respectivamente. Terão mandatos coincidentes, porém serão votadas em processo separado e não possuirão vínculo com os cargos daquelas diretorias.

§ 3º – A Comissão Nacional de Ética será responsável pela elaboração de seu regimento interno e, ouvidos os sindicatos, do regimento interno das comissões de ética dos sindicatos.

Art. 16º – Compete à Comissão Nacional de Ética:

I – julgar, em segunda e última instância, os recursos contra decisões de competência das comissões de ética dos sindicatos;

II – tomar iniciativa referente a questões de âmbito nacional que firam a ética jornalística;

III – fazer denúncias públicas sobre casos de desrespeito aos princípios deste Código;

IV – receber representação de competência da primeira instância quando ali houver incompatibilidade ou impedimento legal e em casos especiais definidos no Regimento Interno;

V – processar e julgar, originariamente, denúncias de transgressão ao Código de Ética cometidas por jornalistas integrantes da diretoria e do Conselho Fiscal da FENAJ, da Comissão Nacional de Ética e das comissões de ética dos sindicatos;

VI – recomendar à diretoria da FENAJ o encaminhamento ao Ministério Público dos casos em que a violação ao Código de Ética também possa configurar crime, contravenção ou dano à categoria ou à coletividade.

Art. 17º – Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, suspensão e exclusão do quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.

Parágrafo único – Os não-filiados aos sindicatos de jornalistas estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.

Art. 18º – O exercício da representação de modo abusivo, temerário, de má-fé, com notória intenção de prejudicar o representado, sujeita o autor à advertência pública e às punições previstas neste Código, sem prejuízo da remessa do caso ao Ministério Público.

Art. 19º – Qualquer modificação neste Código só poderá ser feita em congresso nacional de jornalistas mediante proposta subscrita por, no mínimo, dez delegações representantes de sindicatos de jornalistas.

 

Vitória, 04 de agosto de 2007. Federação Nacional dos Jornalistas

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Propaganda não é opinião (muito menos jornalismo)

 

Por Luiz Artur Ferraretto, para Coletiva.net | 27/09/2021 16:52

O que é, afinal, o Jornalismo? Trata-se de uma instituição social caracterizada pelo relato de fatos e de opiniões. Pode, inclusive, aparecer na forma da opinião explícita de quem escreve, mas isso tem lá seus limites. É importante saber a diferença entre, pelo menos, três gêneros do jornalismo: informativo, relato do fato em si; interpretativo, quando esse fato é colocado em um contexto; e opinativo, centrando o foco na posição de quem escreve ou do próprio veículo em relação ao fato. Independentemente do gênero, deve se basear na técnica. E na ética. Portanto, precisa incluir o contraditório. Não pode ser feito aos berros ou usando ofensas. Deve respeitar os direitos humanos e defender a democracia. 

O processo que leva à chegada da ultradireita ao poder em vários países - caso do Brasil - levou à conversão de alguns veículos de comunicação do jornalismo para a propaganda. Não confunda com publicidade. Uso, aqui, o termo "propaganda" para especificar o discurso ideológico e sem meias palavras, uma emulação para a mídia tradicional do que se vê nas redes sociais. É sempre marcado por muita afirmação categórica, em que alguém se coloca de forma aparentemente heroica em defesa de posições exacerbadas. São frequentes expressões como "bandido", "corrupto" ou "salvação da pátria", além de insinuações de péssimo gosto a respeito de afrodescendentes, LGBTQIA+s, mulheres, pessoas com deficiência ou povos originais. O recurso à "tradição", a "Deus" e à "família" está sempre presente de forma idealizada. De fato, o mundo acaba restrito aos valores da parcela branca, heterossexual e masculina da sociedade. Trata-se de algo que, com maior ou menor impacto, pode ser encontrado em diversas cidades do país. Parece, no entanto, estar perdendo espaço junto com o crescente descrédito de seus referenciais antidemocráticos. 

O que leva à conversão do jornalístico ao propagandístico? Obviamente, são os interesses econômicos e políticos. Entre veículos, para além do populismo e do fingido interesse em defender a "civilização", há a incapacidade de concorrer de verdade. Embora ocorram referências frequentes ao capitalismo, essas são apenas - fique claro - esparsas e remotas, utilizadas para criar um inimigo a ser atacado: o comunismo. É incrível, mas, décadas depois do fim da União Soviética e com a economia da China convertida ao consumo e ao mercado, não existe lugar onde o comunismo seja mais forte do que dentro da cabeça dos ultradireitistas brasileiros. 

Mas é preciso entender o porquê dessa rápida conversão à propaganda. Os desafios ao modelo tradicional de negócio em comunicação assustam quem sempre investiu muito mais em tecnologia do que em recursos humanos, algo fundamental na contemporaneidade. Nos principais mercados, a concorrência mudou ou desapareceu. Mudou. Por exemplo, uma emissora dedicada ao radiojornalismo pode se preocupar muitíssimo mais em perder o primeiro lugar em audiência para uma rádio popular do que para outra estação também dedicada a notícias. Desapareceu. Por exemplo, a única forma de sobreviver como empresa pode ser criar um segmento dentro do segmento, acomodando-se frente a quem lidera. São, em alguns casos, situações impensáveis há 30 ou 40 anos. 

Por óbvio, existem, ainda, as crises econômica e política. No Brasil, sempre, o Estado foi fonte de investimento publicitário. Então, pensam os desavisados: por que não ser explícito no apoio ao governo federal? Se o autoritarismo está de um lado e de outro do balcão de negócios, aproximando veículo e políticos, parece uma opção viável para alguns empresários. Se a radicalização impulsiona postagens nas redes sociais, a opção torna-se ainda mais concreta. Pois é... Mas se muda o quadro (como está mudando neste momento no Brasil)? Qual o futuro do veículo que fingiu dar opinião, mas fazia propaganda? Qual o futuro do veículo que fingiu fazer jornalismo, mas fazia propaganda? Qual o futuro do veículo que fingiu defender a liberdade de expressão, tentando destruí-la? Simples, em uma sociedade democrática, esses veículos não têm futuro. 

Luiz Artur Ferraretto é jornalista e professor.


https://coletiva.net/artigos/propaganda-nao-e-opiniao-muito-menos-jornalismo,404040.jhtml

Seminário traz experiências europeias de educação midiática

 

EDUCAÇÃO MIDIÁTICA

por  | set 26, 2021 |

Mary Taylor do Pexels 


Existe um certo consenso global de que a educação midiática, educar para lidar com a informação, seja ela online ou offline, é uma das estratégias para enfrentar a desinformação e seus efeitos. Mas a educação ou alfabetização midiática sozinha não dá conta do problema. Reforma da mídia, políticas públicas de estímulo ao letramento midiático de modo que esteja em todas as esferas da sociedade, valorização da cultura, arte e participação cidadã, além de autorregulação mais adequada por parte das plataformas são medidas adicionais apontadas por pesquisadores e especialistas que participaram do Seminário Educação Midiática e Combate à Desinformação, promovido no âmbito da Semana da Europa no Brasil. O evento reuniu representantes de universidades, governos e organizações da sociedade civil europeus envolvidos com este tema tão desafiador quanto inspirador. “A ideia é  perceber como estão tratando a educação midiática e informacional, trazer a dimensão da comunicação como direito fundamental”,  explicou Cristiane Parente, da equipe de curadoria.

“A educação ajuda mas não repõe as consequências de estar mal informado. O problema da desinformação deve ser enfrentado de forma racional e também afetiva, incluindo apoio a valores, cultura, tradições”, defendeu Ziga Turk, da Universidade de Ljubljana, Eslovênia. Para ele, as enormes mudanças na produção e consumo de notícias, com impactos no controle de qualidade, amplificação e edição das mesmas, trouxe desafios na mesma proporção para as práticas pedagógicas. 

O negacionismo e outros comportamentos extremistas, de acordo com Turk, embutem valores que precisam ser investigados e abordados para alguma mudança eficiente do cenário. 

Gianna Cappello, da Universidade de Palermo, enfatizou a necessidade de práticas que estimulem o pensamento crítico para combater a desinformação. “Educação midiática não é só sobre usar a mídia ou tecnologia, mas sobre compreensão crítica, cultura participativa, liberdade de expressão e engajamento civil”.  Cappello lembrou os primórdios da internet, quando havia uma expectativa utópica de maior participação e poder das pessoas, panorama muito distinto do que se vê hoje com a plataformização. “Com o desenvolvimento do capitalismo digital, a criatividade dos consumidores passou a ser o produto”.  

Na prática, a pesquisadora disse apostar no quadro mais amplo para ensinar como se lidar com fake news. Como, por exemplo, mostrar o oligopólio formado pelas cinco maiores empresas de tecnologia da internet ou discutir o papel dos políticos na disseminação de teorias da conspiração, levando à conscientização de que fake news não são uma questão individual e pontual.  

Entre as soluções possíveis, ela sugeriu uma combinação de reforma da mídia e restabelecimento da internet como um serviço de utilidade pública e bem comum (como água e o ar), o que demandará políticas públicas. 

Minna Harmanen, conselheira da Agência Nacional para Educação da Finlândia, trouxe o conceito de multialfabetização, a educação midiática como prática transversal para todos os assuntos da escola, desde a educação básica. “Assim, estimulamos o pensamento crítico, a capacidade de interpretar e refletir sobre tudo o que está na internet”. 

Na Alemanha, a Associação para Educação Midiática e Cultura da Comunicação (GMK) traz uma perspectiva semelhante, buscando competências práticas e engajadas na relação com a mídia. A GMK apoia projetos coletivos que envolvem cultura e tecnologia, como projeções de memórias e cultura digital, propostas multimídias de teatro e projeções. 

O mediale pfade, em Berlim, uma outra organização alemã para prevenção da radicalização online, estimula reflexões sobre racismo, sexismo e todas as formas de extremismo que tomaram as redes. Fidel Bartholdy, que o representou, trouxe algumas ideias sobre a condução do debate acerca de fake news. Para ele, o julgamento afasta as pessoas, então é preciso perguntar, ouvir e discutir com tranquilidade o assunto. Entre as técnicas que utiliza estão as ferramentas de checagem de notícias e games onde os jogadores experimentam o processo de criar notícias falsas. 

Glossário

O que é educação midiática ou alfabetização midiática informacional ou letramento midiático?

É o conjunto de habilidades para acessar, analisar, criar e participar de maneira crítica do ambiente informacional e midiático em todos os seus formatos — dos impressos aos digitais.

Fonte: Educamídia

 

Conheça algumas experiências europeias de alfabetização midiática 

Finlândia

  • educação mídiática está no currículo da educação básica. Eles chamam de multialfabetização
  •  Não se trata só de interpretar e produzir textos mas desenvolver a capacidade dos alunos de interpretar e desenvolver o pensamento crítico para todos os assuntos/temas tratados na escola 
  • Diante da desinformação, eles estimulam diálogos sobre fenômenos científicos, por exemplo 
  • Algumas perguntas usadas na prática pedagógica: de onde veio esta informação, quais as fontes, é um fato ou uma opinião, quem lucra com esta notícia, o que está por trás? 

Alemanha 

  • GMK é a Sociedade de Pedagogia das Mídias e Cultura Comunicacional, reúne mais de mil instituições com interesse em estudar a mídia
  • Conceito que norteia as ações é competência de mídia, a habilidade para ler, compreender e discutir a comunicação e criar suas próprias produções midiáticas
  • Propostas de criação coletivas, envolvendo temáticas da cultura e arte 
  • Mediale Pfade é uma organização para prevenção da radicalização online 
  • Realizam oficinas e treinamentos para educadores com foco na luta contra o extremismo que tomou as redes;  utilizam técnicas de checagem e games 
  • mostram como fake news têm apelo emocional, fazem parte de estratégias políticas e podem influir na democracia e explicam como as empresas de tecnologia se beneficiam da desinformação
  • Como conduzir discussões sobre fake news: pergunte, ouça e discuta, sem julgamentos

França 

  • EMILE é um programa de mídia, informação e liberdade de expressão, vinculado ao Ministério da Cultura francês 
  • Treinam tomadores de decisão para alfabetização midiática. Por exemplo: diretor do Louvre, bibliotecários, jornalistas, arquivistas etc 
  • Alfabetização midiática é visível em todos os setores da sociedade francesa 
  • Criar acesso e oportunidade de participação através da cultura
  • Bibliotecas passaram a funcionar como pontos de acesso a cultura, informação, arte 
  • O governo exige habilidades de educação digital para os funcionários públicos 
  • Educação midiática começa aos 7 anos com jogos e ferramentas divertidas. Os alunos são encorajados a levarem questões para os pais de forma a treiná-los também

Bélgica 

  • Mediawijs, centro de mídia digital no Norte da Bélgica para treinar habilidades para mídias digitais 
  • A tecnologia digital é uma ferramenta e um objeto 
  • Dar condições para inclusão digital e habilidades para criação no ambiente online de forma que o usuário deixe de ser apenas consumidor de redes sociais 
  • Uso da arte e tecnologia, makerspaces, performances digitais, uso de arquivos, imagens, reflexão sobre o papel da arte 

União Europeia 

  • Criou o EAVI, uma organização sem fins lucrativos voltada para alfabetização midiática e promoção da cidadania. A organização apoia iniciativas que preparam os cidadãos para ler, escrever e participar da vida pública através dos meios de comunicação 
  • Conceito fundamental é o pensamento crítico, voltar ao básico
  • Habilidade de estar atento ao que se passa ao nosso redor 
  • Alfabetização midiática não é só um processo racional, precisa acessar o emocional
  • O exercício de se tornar cidadão antecede a habilidade para uso de ferramentas da mídia digital 


https://desinformante.com.br/seminario-traz-experiencias-europeias-de-educacao-midiatica/


quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Artigo | Entenda por que a discussão sobre regulação da mídia sempre volta

 

COMUNICAÇÕES

A falta de regulação gera e perpetua a concentração dos meios de comunicação e garantem a manutenção de monopólios

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Heródoto Barbeiro, Adalberto Piotto e uma conversa sobre a opinião para “lacrar”

 

Jornalistas conversam sobre questões relacionadas à imprensa

Anderson Scardoelli

A edição desta semana de ‘Pensando o Brasil’, programa de entrevistas apresentado por Adalberto Piotto e produzido em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), recebeu um “Mestre do Jornalismo”: Heródoto Barbeiro. Ao participar da atração, o jornalista colocou em discussão o trabalho da própria imprensa.

Vencedor do Prêmio Comunique-se na categoria ‘Âncora de Rádio’ em três oportunidades, Heródoto usou a experiência como historiador e professor para analisar determinados assuntos. Na conversa com Piotto, ele destacou, por exemplo, os reais sentidos de palavras como “genocida” e “fascita”. “Banalização”, definiu o comentarista da Record News.

 

Chamar alguém de genocida é algo gravíssimo

Heródoto Barbeiro

“Em vez de eu discordar de você e das suas ideias (…), eu prefiro ‘carimbar’ você com alguma coisa que a sociedade possa entender como ruim”, exemplificou Heródoto Barbeiro. “Muitas pessoas não sabem o que é o fascismo”, enfatizou. “Chamar alguém de genocida é algo gravíssimo. Quando você fala de genocida, eu me lembro de dois. Na direita, Hitler. Na esquerda, o Stalin”, continuou o jornalista.

De forma direta — e geral —, Heródoto teceu críticas à imprensa atual. Nesse sentido, indicou a necessidade de se ler (e entender) determinado assunto antes de emitir alguma opinião. A opinião da era do ‘lacrar‘, conforme define a equipe do portal do CIEE. “Se perguntar numa redação o que é o Ministério Público, a maioria vai dizer que ele faz parte do poder Judiciário”, lamentou o “Mestre do Jornalismo”.

Heródoto Barbeiro, Adalberto Piotto e o jornalismo na era das redes sociais

Questionado a respeito de como os jornalistas e os veículos de comunicação devem se portar diante de conteúdos replicados a todo instante em plataformas de redes sociais, Heródoto Barbeiro destacou a necessidade de se diferenciar pela credibilidade. “Temos que fazer aquela pergunta clássica: será que isso é verdade?”. Para isso, é preciso apurar, ressaltou. Por fim, o entrevistado lembrou que profissionais da imprensa devem sempre ter em mente uma coisa: “quem julga é o público”.

Assista à conversa entre Heródoto Barbeiro e Adalberto Piotto: 




Anderson Scardoelli

Jornalista, 31 anos. Natural de São Caetano do Sul (SP) e criado em Sapopemba, distrito da zona lesta da capital paulista. Formado em jornalismo pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e com especialização em jornalismo digital pela ESPM. Trabalhou de forma ininterrupta no Grupo Comunique-se durante 11 anos, período em que foi de estagiário de pesquisa a editor sênior. Em maio de 2020, deixou a empresa para ser repórter do site da Revista Oeste. Após dez meses fora, voltou ao Comunique-se como editor-chefe, cargo que ocupa atualmente.

https://portal.comunique-se.com.br/herodoto-barbeiro-adalberto-piotto-e-uma-conversa-sobre-a-opiniao-para-lacrar/