sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Introdução ao Jornalismo

 




Glossário Rádio



Abertura: Início dos programas ou dos trabalhos de uma estação de Rádio ou Tv. O tema (musical) de um respectivo programa ou a introdução feita pelo locutor, é conhecido também como abertura.

Acústica: Estudo do som, sua natureza e características.

Acorde: Som usado para separar as manchetes das notícias. 

Alcance: Distância aonde chega o sinal da emissora. Na mesma emissora, ele é variável, quer pela diferente qualidade dos receptores, quer por condições de recepção. 
O alcance depende também da faixa de freqüência, do horário de recepção e da potência que a emissora usa naquele momento.


Ambiente: Sons que dão idéia do local da transmissão. Podem ser ouvidos ao fundo de narrações, de entrevistas ou isolados em pequenos trechos no meio das matérias. Som ambiente.
Alto falante: Aparelho que transforma energia elétrica em energia acústica. Em cidades do interior os serviços de alto-falante se transformam em verdadeiras emissoras de rádio prestando serviços à comunidade.
Amarrar informações: Ligar todos os dados levantados em uma matéria, de forma ordenada e disciplinada, para que não fique solta, frouxa.

Amplificação: Processo do aumento do nível de um sinal específico (tensão ou corrente elétrica) através de determinado sistema de transmissão ou de recepção. Visa a reduzir, dentro dos parâmetros de uma qualidade preestabelecida, os ruídos e distorções.

Amplificador: Circuito, equipamento e sistema que efetuam a amplificação através de determinado sistema de recepção ou transmissão.

AM: Sigla de Amplitude Modulada. Sistema de transmissão de sinais eletromagnéticos realizados através da modulação da amplitude (ou comprimento) das ondas, em freqüências que variam de 550 a 1600 Khz. 
As faixas de OM (Ondas Médias), OT (Ondas Tropicais) e OC (Ondas Curtas) adotam esse tipo de modulação.


Âncora: Comunicador que comanda um programa ou uma cobertura, cabendo lhe a chamada de repórteres, entrevistas ao vivo ou por telefone, emissão de comentários, interligação de assuntos ou de aspectos de um assunto. 

Agência de Notícias: Empresas nacionais e internacionais que produzem e fornecem matérias jornalísticas por meios diversos de transmissão (rádio, TV, internet, teletipo) aos seus assinantes, empresas de comunicação pública ou privada.

Ângulo: O lado pelo qual uma informação jornalística pode ser abordada a partir de diferentes pontos de vistas.

Agente: Pessoa que representa os artistas junto às empresas de comunicação.

Ao vivo: Transmissão feita no momento exato do acontecimento.

Apresentador: Profissional que apresenta as atrações dos programas de entretenimento ou jornalístico. Pode atuar também como animador realizando entrevistas, organizando debates e etc.

Apagador: Aparelho que cria um forte campo magnético para apagar gravação.

Apuração: Levantamento, investigação dos detalhes de um acontecimento visando transformá-lo em notícia.
Segundo Kipling a apuração deve responder as seguintes questões:
A) o que ocorreu? B) por que ocorreu? C) quando ocorreu? D) onde ocorreu? E) como ocorreu? F) quem se envolveu na ocorrência?


Arquivo: Material antigo catalogado que serve como referência para complementar a cobertura de um acontecimento atual. Os arquivos podem ser impressos, gravados em fitas (imagens e sons) ou armazenados no disco rígido do computador. 

Audiência: Conjunto de pessoas que estão sintonizando ou assistindo o mesmo programa.

Audímetro: Aparelho que mede a audiência. Permanece ligado no rádio ou na TV dos ouvintes e registra a quantidade de emissoras que estão sintonizadas. Contudo para medir com mais precisão a audiência é necessária uma pesquisa de campo entrevistando um grande universo de pessoas.

Barreiras Verbais: As barreiras podem prejudicar o entendimento da mensagem, confundir a audiência e os participantes de um programa jornalístico.
Barreiras que põe em dúvida a fala do interlocutor ou do jornalista entrevistador:
Está entendendo? Está ouvindo? Está acompanhando o raciocínio? 
Barreiras que se repetem durante a fala de entrevistado.
Sabe como é? Aí eu peguei e disse. Isso não é nada e tal e coisa.
Barreiras que fazem referência às raças e nacionalidades com tom pejorativo.
Judeu turco gringo neguinho caipira polaco papa-goiaba
Barreiras com credo político.
Comunista entreguista nacionalista reacionário
Barreiras que interrompem a fala do entrevistado ou do entrevistador.
Nossa! Puxa vida É? Incrível
Barreiras que usam tratamento familiar por parte do entrevistado e do entrevistador.
Você o senhor meu velho meu irmão meu amor meu chapa
Barreiras que se referem os defeitos ou características físicas.
Caolho tampinha pintinho gaguinho
Barreiras como os insultos mesmo que por brincadeira.
Pilantra sacana boa vida malandro
Barreiras dos cumprimentos inoportunos.
Salve oi, ouvintes alô, cambada•.
Barreiras como às saudações exageradas.
Como vai esta figura ilustre? Como vai essa inteligência brilhante? 
Barreiras como às interferências flagrantes. 
Você está louco Mentira! Ah!Esta eu quero ver Feche a boca
Barreiras com apelos a terceiras pessoas.
Este aqui é o fulano que não deixa mentir. Falou-se que......
Background: Música, vozes ou ruídos usados ao fundo de uma transmissão. O mesmo que BG (bege). 
O BG não deve prejudicar o som da fala.


Barriga: Notícia inverídica.

Bastidores: Quem não está em cena. Acontecimento que ainda não foi revelado ao público.

Bloco: Conjunto de notícias, músicas e demais informações situado entre dois intervalos comerciais, nas emissoras mantidas pela propaganda ou institucionais nas emissoras públicas.

Break: Expressão inglesa usada em algumas emissoras para designar o intervalo comercial. 

Briefing: Resumo das instruções transmitidas pela chefia aos responsáveis por um trabalho. Os repórteres geralmente saem para a cobertura de determinado acontecimento com um briefing do caso.

Bater: Falar próximo ao microfone, produzir um som desagradável como uma voz alta com ruído.

Boletim: Breve informativo transmitido pelo próprio repórter sobre assunto abordado em entrevista, ou baseado em informações que não foram gravadas. 0 boletim deve começar com o lide da matéria e conter observações paralelas (ambiente estado de espírito do entrevistado, etc.). Exemplo de boletins noticiosos: Copa do mundo – Olimpíadas – do local de um grande desastre – trânsito - informação do tempo e etc.

Branco: Espaço de tempo em que o ouvinte nada escuta, porque a fala é interrompida. Em matérias editadas, este silêncio é eliminado através de emendas. Ao vivo, não há como evitar a catástrofe. O mesmo que buraco.

Cabeça de matéria: O mesmo que lide. Abertura de uma notícia ou reportagem. É o fato mais importante, destacado logo no início da informação para prender a atenção do ouvinte. 
Geralmente a cabeça é lida pelo apresentador no estúdio. Deve-se evitar sempre sua repetição no texto ou na locução ao vivo que se segue. 


Cabeçalho: Dados que devem constar no alto da lauda: título da matéria, crônica ou editorial, programa, data em que irá ao ar e nome do redator. Os editores devem acrescentar ao cabeçalho o horário em que o material será transmitido e podem acrescentar informações que não vão ao ar, como a pronúncia correta de uma palavra de outra língua.

Cachê: Pagamento eventual, feito a artista, jornalista ou outro profissional, por participação em programa ou por direito autoral.

Cartucho: Chassi que contém fita magnética pronta para entrar em funcionamento, bastando introduzi lo na câmara ou gravador. 

Central: Onde ficam aparelhos e técnicos que recebem os sinais sonoros que irão para o ar. Dela, se fazem contatos com repórteres por linhas telefônicas, viaturas, linhas diretas e estúdios de gravação.
Grava e equaliza, edita e manda para a mesa que porá no ar a matéria.


Chamar o repórter: Atividade do apresentador do programa, quando, no ar introduz uma matéria.

Cabina de Locução: Compartimento a prova de som, onde é feita a locução do programa.
Caco: fala improvisada.

Chamada: Gravação sobre matéria ou programa transmitido várias vezes durante a programação, para despertar o interesse do ouvinte.

Cobertura: (1) Reportagem completa sobre acontecimento importante, no local de sua ocorrência.
(2) Área de atendimento, dentro de contornos prefixados de uma emissora de radiodifusão.


Cobrir: Transmitir evento ou acontecimento.

Cadeia: Conjunto de emissoras de rádio e TV, ligadas a uma mesma empresa ou afiliadas a uma emissora líder.

Cadeia Nacional: Sintonia simultânea de todas as estações de rádio e emissoras de TV para a transmissão de um comunicado oficial. 

Comunicado: Informação oficial de entidade de direito público ou privado.

Contato: Profissional que contata agências e anunciantes, para promover o veículo e vender o tempo para inserções publicitárias.

Co-patrocínio: Forma de patrocínio em que dois ou mais anunciante participa dos custos de veiculação.

Cozinha: Trabalho de reescrever (adaptar, atualizar e condensar) textos.

Deixa: (1) Palavras finais da matéria que indicam ao operador e ao locutor o momento em que outro segmento ou bloco deve entrar. 
(2) Trechos de gravação que constam da matéria editada e que são redigidos no texto para o locutor/apresentador saber quando fala de novo.


Dat: Sigla em inglês de Gravador Digital de Sons. Gravação de alta qualidade em fitas digitais. É semelhante aos cassetes. 

Decupagem: Processo de registro da ordem e da duração das diversas seqüências de uma reportagem gravada. Usada em rádio e TV para melhor identificar a matéria durante a edição.

Decibel: Unidade de medida relativa entre dois níveis de potência. Para medir o som costuma se adotar como ponto de referência a mínima potência acústica perceptível pelo ouvido humano. 
Em aparelhos sonoros de gravação e reprodução são adotadas outras referências, o chamado nível zero, que corresponde à máxima potência conveniente para uma reprodução sem distorções.


DJ: Disc jockey, apresentador de programas musicais.

Dubbing: Processo de cópia de gravação em outra fita ou em outro disco de computador.

Edição: Montagem de uma matéria, que inclui seleção, corte e emendas de trechos da gravação. 
Preparo das gravações originais antes de serem transmitidos, com a supressão de trechos considerados desnecessários ou incompreensíveis. Ela pode ser feita fisicamente, com cortes e colagens na fita, ou digitalmente, no computador.


Edição especial: Produção de um programa em edição diferente das habituais. Quando o Papa João Paulo II visitou o Brasil, a Rádio Itatiaia de Minas Gerais, fez uma edição especial de sua visita, que, posteriormente, foi transformada em disco.

Edição extraordinária: Trabalho radiojornalístico que não estava programado, diante de fato importante e atual. Exemplo: A reforma administrativa assinada pelo presidente. Os atentados acontecidos nos Estados Unidos. Uma edição extraordinária é precedida de sinais sonoros bem marcantes.

Editor: Aquele que faz a edição, que resolve como a matéria vai ao ar, suprimindo alguns trechos, valorizando outros. O editor de um programa se encarrega da sua produção total. 0 mesmo que produtor. O editor de área (política, economia, assuntos internacionais) é responsável pelo trabalho radiojornalístico de determinada área ou setor.

Editor geral ou editor responsável: É a pessoa que assume, para efeitos jurídicos, a responsabilidade total sobre o conteúdo posto no ar pelo Departamento Jornalístico, onde não há diretor na área.

Editorial: Texto opinativo, escrito de maneira impessoal, sem identificação do redator, e que reflete o pensamento do veículo.

Emissora: Empresa que produz e transmite mensagens de comunicação de massa por meio de radiodifusão.

Encerramento: Trecho final de um programa ou de uma matéria. 0 encerramento de uma matéria deve mencionar nome e função do entrevistado e repetir a informação mais importante transmitida durante a entrevista. De novo frisamos: o ouvinte não pode reler o que ouviu.

Efeito especial: Recurso sonoro (vento, chuva, trânsito etc.) produzido pelo sonoplasta.

Equalização: Correção eletrônica de sinais de gravação e de reprodução, para compensar as deformações na intensidade das freqüências, de forma a diminuir a distorção e fazer com que o som reproduzido se assemelhe ao original.

Equalização de linha: Processo de compensação dos sons agudos quando o som é transmitido por linhas telefônicas.

Exclusividade: Cobertura de um acontecimento ou transmissão de uma notícia realizada apenas por uma emissora.

Externa: Programação ou gravação realizada fora do estúdio.

Enquête: Levantamento de testemunhos públicos.

Extra: Notícia que devido à sua grande importância justifica a interrupção da programação, a qualquer momento, para ser transmitida.

Entrevista: Diálogo entre repórter e fonte, sob forma de perguntas e respostas.

Entrevista coletiva: Acontece quando a personalidade atende a imprensa em conjunto, respondendo a perguntas de todos os repórteres.

Enviado especial: Repórter que viaja com a missão de realizar um trabalho radiojornalístico especial, não do dia a dia.

Fechamento: Horário imposto pela redação para o recebimento de matérias para os radiojornais. Nos boletins de notícias, o fechamento ocorre cinco minutos antes de eles irem para o ar.

Fitas de rolo: Fitas de gravação usadas em gravadores de rolo.

Fitas cassete: Fitas de gravação usadas em gravadores do tipo cassete.

Fita magnética: Fita revestida em uma das faces por material magnético que registra ou reproduz os sinais transmitidos pela cabeça do gravador, que variam em freqüência e intensidade.

Flash: Um boletim, dado pelo repórter.

FM: Abreviação de Freqüência Modulada, sistema de transmissão em que a onda portadora, na faixa de 88 a 108 MHz, é modulada em freqüência. 
As transmissões em FM sofrem menos incidência de ruídos e apresentam maior fidelidade de resposta. 
Os carros de reportagem externa são freqüentemente chamados de viaturas de freqüência modulada, por transmitirem nessa faixa.


Foca: Jornalista novato.

Free lance: Ou "frila": Jornalista contratado para fazer um determinado trabalho. Não faz parte do quadro fixo da redação.

Fone: Dispositivo eletroacústico apropriado para a audição individual.

Freqüência: Parâmetro usado para caracterizar a repetição de determinado fenômeno. É o número de vibrações por segundo de uma onda ou corrente alternado, medida em hertz.

Fora do ar: Estação que não está transmitindo.

Fundo: O mesmo que background OU BG. São as músicas, ruídos ou sons de determinados ambientes que servem de suporte para a fala. Sons de fundo.

Furo: Notícia divulgada em primeira mão.

Gancho: Uma razão que justifica a matéria e a torna oportuna.

Ganho: Relação entre a entrada e a saída de um sistema de gravação, transmissão e amplificação medida em decibéis. Um som fraco produzirá também um sinal muito fraco no microfone, que, para ser reproduzido satisfatoriamente, deverá ter seu controle de volume elevado, para aumentar o ganho.

Gillette press: Expressão usada em tom de zombaria para mostrar o hábito de produzir matérias através de recortes de jornais.

Girafa: Suporte de fixação do microfone.

Gravador: Aparelho que converte o som em sinais magnéticos correspondentes, por meio de um microfone ligado a um amplificador. Esses sinais geram variações na intensidade de um campo magnético, e são gravados em uma fita de plástico revestida de uma camada de óxido de ferro, magnetizada em toda a sua extensão. Para reproduzir os sons, passa se a fita por uma cabeça magnética reprodutora, na mesma velocidade usada na gravação. 0 magnetismo armazenado na fita induz oscilações de tensão na bobina do eletroímã da cabeça, produzindo sinais elétricos que são amplificados e reconvertidos em som por meio dos alto falantes.

Hertz: Unidade de medida de freqüência, equivalente a um ciclo por segundo. Ao dizermos 70 Hz, isso significa que a corrente oscila (muda de direção) setenta vezes por segundo.

Imprensa marrom: É a imprensa que vive do sensacionalismo. 

Inserção: Cada uma das vezes em que se veicula um anúncio. Inserção de um trecho de uma gravação no meio de uma reportagem.

Identificação: Texto gravado que deve ser irradiado pela emissora com identificação do nome da empresa, localidade, freqüência e tipo de emissão (OM, OT, OC, FM), além do prefixo.

Institucional: Propaganda que promove imagem favorável de um produto ou instituição. 
O objetivo não é a venda, mas a criação de atitude favorável do público em relação ao que se está anunciando. Associar a empresa a campanhas que favorecem o uso do leite materno. Campanha contra o fumo.


Jabá: Gíria que significa picaretagem no serviço de uma emissora, como por exemplo, à veiculação de notícia ou música a partir de propina ou outro favor qualquer. 0 mesmo que jabaculê.

Janela: Intervalo que se deixa em programas de rádio para a inserção de um ou mais comerciais. Espaço de alguns segundos, deixados num jingle, para a locução.

Jingle: Anúncio musical, Bem feito, valoriza muita a mensagem comercial.

Jogar no ar: O mesmo que pôr no ar, irradiar ou transmitir.

Jornal: Noticiário transmitido pela rádio. 

Jornalismo: Departamento de uma emissora que apura, processa e transmite as informações.

Lauda: Folha padronizada onde é redigido o texto do programa, com as marcações para a técnica.

Levantar matéria: Investigar dados que darão origem a reportagem ou entrevista.

Limpar: Apagar uma fita. 

Linha: Trajetória de envio e retorno de um sinal elétrico que pode ser dotada de amplificadores a intervalos regulares para cobrir grandes distâncias. 

Linha (2): Postura editorial da emissora. 

Linha permanente ou lp: Linha telefônica especial instalada para ligar os locais onde ocorrem regularmente fatos jornalísticos e os estúdios das emissoras.
Ligação direta com órgãos geradores de informação, como Detran, Prefeitura, aeroportos, estádios. 0 mesmo que linha externa, ou LP.


Linha presa: Diz se da linha telefônica que está sendo usada para gravação.

Locução: Trabalho que consiste em se expressar diante dos microfones da rádio, lendo textos. Os DJ. (disc jóqueis) improvisam.

Locutor: Aquele que faz o trabalho de ler textos. O locutor de manchetes fala com voz projetada, enfática, para atrair a atenção do ouvinte; o locutor de comerciais faz somente a locução de comerciais; o locutor esportivo narra competições esportivas.

Manchete: Notícias em destaque no início dos radiojornais ou de cada uma de suas seções, ressaltando, em não mais que uma linha de texto, os aspectos mais importantes ou mais recentes das informações contidas no noticiário que vem a seguir.

Matéria: Resultado de apuração de assunto, já com formato de reportagem ou entrevista.

Material: Dados da matéria em andamento (estatísticas entrevistas). Elementos de matéria pronta (laudas, cartucho).

Mesa de controle: Mesa onde são misturadas as diversas fontes de sons que formam um programa de rádio. Através dela passam os sons dos microfones, dos gravadores, das linhas telefônicas, dos discos ou dos CDs e são controlados os seus volumes. 
Elas geralmente são operadas por um técnico, mas em muita emissora, isso é feito pelo próprio apresentador.


Mídia: (1) Os meios de comunicação de massa. (2) Veículo escolhido para divulgar determinada propaganda.

Microfonia: Defeito de instalação de áudio em que o som dos alto falantes retoma ao microfone provocando forte ruído. Isso ocorre com freqüência em rádio quando o entrevistado por telefone também está ouvindo o rádio e não reduz o volume.

Minicassete: Gravador pequeno que utiliza fitas cassete.

Mixagem: Processo de misturar e combinar várias entradas de som, com a mesma intensidade ou com intensidades diferentes. Mixar é o verbo correspondente.

Mixer: Equipamento que combina sinais de diversas entradas em uma saída comum.

Módulo: 0 mesmo que bloco.

Monitor: (1) Equipamento de alta precisão, usado para verificar a qualidade do som que está sendo gravado, produzido no estúdio ou em externas.
(2) Alto falante instalado nos estúdios de locução, gravação, na sala de controle ou em outras dependências de uma emissora de rádio, para acompanhamento do que está sendo transmitido.


Narração: Exposição oral sobre o fato jornalístico, que precisa ter destaque maior do que opiniões e impressões pessoais. Logo, a narração utiliza mais verbos do que adjetivos. O termo é mais usado com referência a transmissões esportivas. 
0 narrador da partida expressa os lances de um jogador e os movimentos da bola e precisa dar emoção ao que fala. Rádio não é televisão. Nesta última, a pessoa vê. Pelo rádio, precisa ver través do narrador.


No ar: Expressão que significa estar um programa sendo transmitido naquele momento. A lâmpada vermelha acesa na porta de um estúdio indica que o que se fala ali está no ar.

Nota: Pequena notícia, destinada à informação rápida.

Nota de falecimento: Notícia curta, que deve ser lida com respeito, sobre a morte de uma pessoa.

Notícia: Relato de um fato jornalístico, de interesse e importância para a população.

Noticiário: Programa que apresenta notícias. 0 mesmo que jornal falado.

Off: Forma abreviada de off the Record. Informação confidencial, prestada ao jornalista, com a condição de não ser divulgada.

Operador: Técnico que aciona os comandos da mesa de controle para a transmissão do programa.
Ouvinte: Aquele que recebe a comunicação radiofônica. Motivo e fim de todo o trabalho do rádio.

Parábola: Antena refletora usada em links. 

Parada de sucesso: Seleção de sucessos musicais por ordem de vendagem.

Passar informação ou passar matéria: Transmitir, por telefone, matéria gravada à central técnica.
O repórter se comunica, em primeiro lugar, com a central técnica, daí o passar.


Passar um flash: Registrar um flagrante da cidade, de maneira concisa e objetiva.

Patrocinador: Anunciante (empresa, produtor, produto ou instituição que custeia total ou parcialmente a transmissão de programas de rádio).

Patrocínio: Pagamento da produção de um programa de rádio, com interesses institucionais ou publicitários.

Pausa: Interrupção temporária de uma fala ou de qualquer efeito sonoro.

Plugar: Conectar ou injetar som. 

Prefixo: Sigla alfanumérica, determinada pelo Governo Federal, que identifica cada emissora. 

Press release: Texto distribuído por instituição privada ou governamental, com notícia de seu interesse, visando à divulgação gratuita. É preparado por assessorias de imprensa e enviado às redações. 0 mesmo que release.

Programação: Seqüência de programas e intervalos no rádio. 

Propaganda: Conjunto de atividades (criação, edição, veiculação e promoção) destinadas a influenciar o público com relação a: um produto, serviço, marca ou idéia e doutrina. 
Embora muitos considerem sinônimos, propaganda e publicidade, propaganda tem sentido mais abrangente, ao passo que a publicidade significa especialmente a propaganda comercial.


Público-alvo: Parcela da população à qual é dirigida a mensagem. Segmento do público que se pretende atingir e sensibilizar com uma campanha, anúncio ou notícia.

Pauta: Roteiro de trabalho do repórter elaborado pela redação (ou pela chefia de reportagem).

Perda: O volume de saída do som é menor do que o da entrada.

Prefade: Dispositivo que permite ouvir e modular um som antes de ele ir para o ar. É usado normalmente para verificar os níveis de volume.

Picotar: Pequenos cortes seguidos numa transmissão externa. "0 som está picotado."

Pipocando ou estourando: Quando o som, especialmente das consoantes, parece "estourar" porque o locutor está falando muito perto do microfone. 

Pingue Pongue: Perguntas feitas pelo apresentador a um repórter, dentro ou fora do estúdio. Pode ser também uma entrevista baseada em perguntas curtas e diretas, com respostas rápidas.

Povo fala: Uma série de depoimentos curtos de pessoas, obtidas geralmente na rua e editadas em seqüência.

Potenciômetro: Aparelho que permite o controle do volume de graves, agudos, balanço etc.
Quilohertz: 1000 hertz 1 ciclo por segundo.

Radioescuta: Profissional a quem compete levantar informações para a redação e a reportagem, ouvindo outras rádios. 
Ele acompanha o noticiário das emissoras concorrentes ou de outras cidades e as faixas de serviço para coletar informações que possam gerar pautas na sua redação.


Radiojornalismo: Jornalismo veiculado por rádio.

Redator: Profissional que redige notícias, notas, crônicas e editoriais.

Registro: Entrada rápida do repórter no ar, apenas para informar um fato, deixando de lado os pormenores. Nome em Português para flash.

Relatório: Resumo de matéria feita e de informações obtidas em off, que deve ser diariamente apresentado à chefia.

Reportagem externa: A que é realizada fora das dependências da emissora.

Repórter: Profissional que faz reportagem. Função fundamental em emissoras que tenham no jornalismo o forte de sua programação. É a "cara" da rádio.

Serie de reportagens: Matérias independentes relacionadas entre si pelo mesmo tema.

Retranca: Expressão retirada do jornalismo impresso e utilizada para identificar, por meio de uma só palavra, determinada matéria. Serve para identificar as matérias nos roteiros, nos cartuchos ou nos arquivos dos computadores.

Reunião da pauta: Reunião periódica de editores para selecionar os assuntos que serão cobertos naquele dia, ou em determinado período do dia. 

Setor: Área de ação de um repórter. 

Setorista: Repórter, encarregado de cobrir determinado setor: Aeroporto, Câmara Municipal, Bolsa de Valores, Assembléia Legislativa, Prefeitura, Polícia, etc.

Script: Roteiro para gravação ou veiculação de um radiojornal.

Slogan: Frase concisa, marcante, incisiva e atraente que apregoa a superioridade de um produto.

Spot: Comunicação breve em rádio, de 15 a 30 segundos, de mensagem comercial ou institucional. 
Exemplo: - Não deixe de vacinar seu filho no dia 16 de agosto -.


Sugestão de pauta: Assuntos indicados por um profissional da emissora, que podem ser abordados em matéria.

Suíte: Continuidade de um fato jornalístico, com acréscimo de novos elementos que o atualizam.
Som ambiente: Vozes, ruídos e músicas características de um local e que servem de fundo para uma entrevista ou reportagem.

Sonoplasta: Profissional encarregado de selecionar e adequar às sonorizações e efeitos sonoros, editados antecipadamente, gravados ou não, que compõem um programa radiofônico.

Splice: O processo de cortar e depois colar dois pedaços de uma fita para efeito de edição.

Técnica: Conjunto de todas as instalações de produção, gravação, processamento, e reprodução do sistema de controle nas emissoras de radiodifusão.

Texto: Qualquer matéria, comercial ou jornalística, escrita para ser lida no rádio.

Tape: A fita magnética utilizada para gravações.

Teaser: Breve e instigante chamada para promover uma notícia ou um programa que vem a seguir.

Tráfego: Expressão usada nas emissoras comerciais para identificar o departamento que organiza os blocos de propaganda para transmissão.

Unidade móvel: Equipamento instalado numa viatura para a execução dos serviços de reportagens externas.

Unidade portátil: o mesmo que HT e walkie talkie.

Unidade Móvel: Viatura equipada com todos os recursos para realizar gravações e transmissões externas.

Up link: Transmissão de sinais de rádio, em alta freqüência, de uma antena terrestre para um satélite, proporcionando recepção de alta qualidade.

UHF: Sigla em inglês de Freqüência Ultra Alta, de 30 a 300 MHz. 

Vinheta: Mensagem transmitida no intervalo de programas, composta de um pequeno texto, música e efeitos sonoros, de conteúdo variado. Chamada para uma matéria ou programa, campanha institucional, ou comemorações.

VHF: Sigla em inglês de Freqüência Muito Alta, de 300 a 3000 MHz.

Zumbido: Ruído contínuo, de baixa freqüência, semelhante a um ronco.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Glossário Radiofônico



A

(Amplitude Modulada) - Forma de modulação na qual a intensidade da onda portadora varia de forma relacionada à informação transmitida.

Amplificação - Aumento da intensidade de um sinal quando atravessa um dispositivo ou circuito.

Antena - Interface que recebe energia elétrica de alta frequência do transmissor e otimiza sua propagação através do espaço livre. Alternativamente, a antena recebe energia do espaço livre e a encaminha para um receptor.

Áudio - Sinal elétrico que transporta informações de som.

Audiofrequência - Frequências de vibração do ar que podem ser detectadas pelo ouvido humano normal. Variam de cerca de 20 Hz até 15 kHz.

B

Banda - Faixa delimitada de frequências, em geral comportando diversos canais de transmissão de um mesmo tipo de telecomunicação. Também denominada "faixa".

Broadcast - Radiodifusão.

C

Comprimento de onda - Distância percorrida por uma onda eletromagnética durante um ciclo de frequência (um Hertz). É obtido dividindo-se a velocidade de programação pela frequência.

Concessão - Ato legal que delega o direito de prestação de um serviço de telecomunicação no Regime Público, mediante contrato por prazo predeterminado.

D

Datacasting - Transmissão de dados simultaneamente com a transmissão normal de áudio ou vídeo. Em geral, os dados são relacionados ao conteúdo do programa transmitido.

Delay - Termo técnico usado para designar o retardo de sinais em circuitos eletrônicos, geralmente o atraso de som nas transmissões via satélite ou via internet.

E

Estéreo - Técnica de transmissão e/ou reprodução de som em dois canais separados e distintos: um para cada ouvido.

F

FM (Frequência modulada) - Forma de modulação na qual a frequência da onda portadora varia de forma relacionada à informação transmitida. Opera na faixa de 87,8 MHz a 108 MHz.

Frequência - Número de vezes por segundo em que uma corrente elétrica inverte o sentido do fluxo; medida em Hertz e seus múltiplos.

H

Hertz - Unidade de medida de frequência de uma corrente elétrica. Sua abreviação é "Hz". Equivale a um ciclo por segundo, isto é, uma inversão de sentido da corrente por segundo. O nome foi dado em homenagem ao cientista alemão Heinrich Rudolf Hertz, que comprovou a existência das ondas eletromagnéticas.

J

Jingle - Jingle é um termo da língua inglesa cuja tradução literal para o português é “tinido" ou “zumbido”. É utilizado em referência a uma mensagem musical publicitária elaborada com um refrão simples e de curta duração, favorecendo sua memorização.

M

Modulação - Processo usado para alterar as características de um sinal eletromagnético ("onda portadora") de forma a que suas variações traduzam as informações que se deseja transmitir através desse sinal. O sinal sem modulação não contém informações.

O

Onda - Forma de propagação da energia eletromagnética pelo espaço.

Onda Curta (OC) - É a modalidade de serviço de radiodifusão que opera nas faixas de 5.950 kHz a 6.200 kHz, 9.500 kHz a 9.775 kHz, 11.700 kHz a 11.975 kHz, 15.100 kHz a 15.450 kHz, 17.700 kHz a 17.900 kHz, 21.450 kHz a 21.750 kHz e 25.600 kHz a 26.100 kHz, com modulação em amplitude.

Onda Média (OM) - É a modalidade de serviço de radiodifusão que opera nas faixas de 525 KHz. a 1.605 KHz e 1.605 KHz a 1.705 KHz, com modulação em amplitude.

Onda Tropical (OT) - É a modalidade de serviço de radiodifusão que opera nas faixas de 2.300 kHz a 2.495 kHz, 3.200 kHz a 3.400 kHz, 4.750 kHz a 4.995 kHz e 5.005 kHz a 5.060 kHz, com modulação em amplitude.

R

Radiodifusão - Nome genérico das transmissões de rádio ou televisão destinadas à recepção livre e gratuita pelo público em geral.

Reclame - A citação de empresas junto a um slogan ou chavão publicitário já era uma prática estabelecida no rádio desde a década de 1920. Algumas emissoras mantinham um fundo de broadcasting, uma arrecadação junto a empresas comerciais que, em troca, eram citadas na programação.

Receptor - Aparelho destinado a captar e exibir de forma inteligível sinais de áudio, vídeo ou dados.

S

Sinal - Informação contida em uma corrente elétrica modulada.

Sintonia - Ajuste de um receptor para permitir a recepção adequada de um sinal.

Spot - É um fonograma utilizado como peça publicitária em rádio, feita por uma locução simples ou mista (duas ou mais vozes), com ou sem efeitos sonoros e música de fundo. O spot é, geralmente, utilizado na publicidade quando há muita coisa a ser transmitida em uma só mensagem.

Streaming - Forma de distribuir informação multimídia numa rede através de pacotes. É frequentemente utilizada para distribuir conteúdo multimédia através da Internet. No caso das rádios é o serviço ou tecnologia para a transmissão das rádios através da internet.

T

Telemática - Ciência que trata das comunicações móveis, incluindo capacidade de comunicação sem fio para informações gerenciais, aplicações de segurança, navegação e entretenimento.

Transcodificador - Dispositivo que transforma para um padrão diferente os sinais recebidos em um outro padrão.

Transmissor - Equipamento eletrônico que transforma a energia elétrica de baixa frequência (geralmente de 60Hertz) para uma frequência elevada (em geral, acima de 500.000 Hertz), a fim de permitir que ela se propague livremente pelo espaço. O transmissor também processa uma ou mais características da energia de alta frequência, para que ela transporte informações desejadas (programação).

U

UIT - União Internacional de Telecomunicações; organismo vinculado à Organização das Nações Unidas responsável pela coordenação mundial das telecomunicações. É a entidade sucessora da Liga Telegráfica Internacional, fundada em 1865, para regular as transmissões telegráficas mundiais.

V

Vinheta - Sinal identificador do programa, pequena peça sonora geralmente composta por voz e sons (música, efeitos etc). Anuncia abertura, encerramento, quadros, intervalo etc.

W

Watt - Unidade de medida de potência equivalente a 1 joule por segundo. O múltiplo mais usado é o quilowatt (kW), equivalente a mil watts.



Fonte:Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, Glossário De Radiodifusão, 2013. Disponível em: https://www.abert.org.br/web/dados-do-setor/estatisticas/glossario.html




terça-feira, 13 de maio de 2025

O papel social das rádios comunitárias



ARTIGO


O papel social das rádios comunitárias

Por Sara Lemes Perenti Vitor em 12/10/2009 na edição 559 do Obiservatório da Imprensa

Foto Produzida por AI










As rádios comunitárias tem um grande papel social nas comunidades em que são veiculadas por identificarem um grupo de pessoas, a partir de seus problemas locais, cultura própria e realidade social. O foco principal desse estudo é quando essas mídias preservam o interesse social vinculado à realidade local, levando a comunidade a reconhecer a rádio como sendo sua, criando uma identidade. A radiodifusão comunitária representa uma conquista dos movimentos populares em relação ao acesso aos meios de comunicação.

Tais rádios apresentam diversas vantagens para a população local, desde a informação, a educação informal, sua cultura própria, a participação ativa das pessoas da comunidade e de representantes de movimentos sociais e outras formas de organização coletiva na programação, dos processos de criação e planejamento até a gestão da emissora. Uma característica importante dessas rádios é o exercício da cidadania, representando um canal aberto à liberdade de expressão, independentemente de suas convicções políticas, credos religiosos, escolaridade, qualidade de voz etc.

Historicamente, no Brasil, a rádio comunitária tem sido canal de expressão da população empobrecida que, por meio de suas organizações sociais, desenvolve um trabalho de informação, educação informal, desenvolvimento cultural e mobilização das pessoas visando à melhoria nas condições de existência. No seu processo de ação, em geral conectado às lutas sociais mais amplas em cada lugar, a emissora comunitária tende a contribuir para a mobilização social e trabalho organizativo local com o intuito de melhorar serviços públicos, desenvolver trabalhos educativos contra a violência, difundir produtos artísticos de membros da "comunidade", além de desencadear possibilidades de educação informal e não-formal.

Ameaça às emissoras convencionais

Há evidências concretas em várias experiências de que ao se envolver na dinâmica radiofônica a pessoa se desenvolve, aprende a falar em público, a externar conhecimentos, dons e criações artísticas, a compreender melhor o jogo de interesses internos e externos a que a mídia está sujeita, bem como a reconhecer a realidade que a cerca e se interessar em contribuir para mudanças. No meio de tantas descobertas melhora a auto-estima e a esperança tende a brotar ou se renovar. Por vezes, as pessoas, principalmente as mais jovens, são despertadas para estudar comunicação em faculdades da área e descobrem aptidões profissionais antes não imaginadas. Outros redescobrem um sentido para suas vidas (PERUZZO, 2002-2005).

A mídia comunitária também promove a conscientização da população de seus direitos e deveres, dando a oportunidade de lutar por eles, através de um novo olhar em relação ao mundo. O indivíduo passa a sentir-se importante, por assumir o papel de titular das discussões, debates e produção de conteúdo; no entanto, esse desenvolvimento social não interessa a todos os setores da sociedade.
Justamente por representar uma conquista do acesso aos meios de comunicação por parte dos movimentos populares, a radiodifusão comunitária também é vista como uma ameaça às emissoras convencionais e até ao governo, por formar uma possibilidade diferenciada de comunicação que chegue próximo a um grupo social muitas vezes deixado de lado. As emissoras convencionais temem perder público e anunciantes, enquanto o governo reconhece que tais mídias comunitárias "são portadoras de um certo conteúdo político que amedronta os três poderes constituídos" (PERUZZO, 1998b, p.7).

Engavetando divulgação de relatório

No Brasil, as rádios comunitárias passaram a ser legalizadas com a aprovação do Congresso, mesmo sendo uma das poucas formas viáveis de comunicação da população. Apesar da legalidade aparente, a liberação das rádios é lenta e muitas acabam trabalhando sem a autorização do governo e acabam sendo fechadas – o que ocorreu com várias rádios do Brasil nos últimos anos. Num momento em que o país passa por uma onda de violência urbana, é reprimida uma iniciativa que colabora no fortalecimento das lutas populares e na organização da sociedade por meio da difusão de valores como a solidariedade e a justiça (PERUZZO).

Podemos observar que as rádios comunitárias vêm sendo tratadas como caso político e caso de polícia, como analisa Peruzzo. As evidências estão nas ações da Anatel e da Polícia Federal no cerceamento à liberdade de expressão, sem levar em conta o papel social das rádios comunitárias; na morosidade com que os processos são analisados e julgados; nas outorgas concedidas por influências do lobby de grupos ligados a políticos e igrejas; e no tratamento dado pelo Ministério das Comunicações, engavetando e dificultando a divulgação do relatório final elaborado, certamente por acatar várias das reivindicações do movimento de rádios comunitárias do país e recomendar a disseminação deste tipo de emissora no Brasil.

Força e identidade

Na perspectiva legal do poder concedente, uma rádio comunitária tem como objetivo proporcionar informação, cultura, entretenimento e lazer a pequenas comunidades: Uma rádio comunitária deve divulgar a cultura, o convívio social e os eventos locais; noticiar os acontecimentos comunitários e de utilidade pública; promover atividades educacionais e outras para a melhoria das condições de vida da população [...]. A programação diária de uma rádio comunitária deve conter informação, lazer, manifestações culturais, artísticas, folclóricas. Deve estimular tudo aquilo que possa contribuir para o desenvolvimento da comunidade, sem discriminação de raça, religião, sexo, convicções político-partidárias e condições sociais. Deve respeitar sempre os valores éticos e sociais da pessoa e da família e dar oportunidade à manifestação das diferentes opiniões sobre o mesmo assunto (BRASIL, 2006).
Conclui-se que essa comunicação, também chamada de popular, participativa ou alternativa, tem como finalidade o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais, artísticas e de convívio social, além de aprimorar suas atividades profissionais e melhorar sua condição de existência. O papel principal das rádios comunitárias é transformar os indivíduos de uma comunidade em cidadãos participativos, que busquem melhorar sua condição social, que tenham certo conhecimento político e cultural e que saiba lutar por seus direitos. Além de apresentar também alternativas, oportunidades e organização de um grupo, muitas vezes deixado de lado, ganhando assim, força e identidade, levando esse grupo a exercer a conhecer o papel da cidadania e participar dela.


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VEJA O QUE DIZ A LEI QUE CRIUO AS RADIO COMUNITARIAS

LEI Nº 9.612, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998

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Art. 3º O Serviço de Radiodifusão Comunitária tem por finalidade o atendimento à comunidade beneficiada, com vistas a:
I - dar oportunidade à difusão de idéias, elementos de cultura, tradições e hábitos sociais da comunidade;
II - oferecer mecanismos à formação e integração da comunidade, estimulando o lazer, a cultura e o convívio social;
III - prestar serviços de utilidade pública, integrando-se aos serviços de defesa civil, sempre que necessário;
IV - contribuir para o aperfeiçoamento profissional nas áreas de atuação dos jornalistas e radialistas, de conformidade com a legislação profissional vigente;
V - permitir a capacitação dos cidadãos no exercício do direito de expressão da forma mais acessível possível.

Art. 4º As emissoras do Serviço de Radiodifusão Comunitária atenderão, em sua programação, aos seguintes princípios:
I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas em benefício do desenvolvimento geral da comunidade;
II - promoção das atividades artísticas e jornalísticas na comunidade e da integração dos membros da comunidade atendida;
III - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família, favorecendo a integração dos membros da comunidade atendida;
IV - não discriminação de raça, religião, sexo, preferências sexuais, convicções político-ideológico-partidárias e condição social nas relações comunitárias.
§ 1º É vedado o proselitismo de qualquer natureza na programação das emissoras de radiodifusão comunitária.
§ 2º As programações opinativa e informativa observarão os princípios da pluralidade de opinião e de versão simultâneas em matérias polêmicas, divulgando, sempre, as diferentes interpretações relativas aos fatos noticiados.
§ 3º Qualquer cidadão da comunidade beneficiada terá direito a emitir opiniões sobre quaisquer assuntos abordados na programação da emissora, bem como manifestar idéias, propostas, sugestões, reclamações ou reivindicações, devendo observar apenas o momento adequado da programação para fazê-lo, mediante pedido encaminhado à Direção responsáve


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segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

A importância do Jornalismo Local na Era da Desinformação

Digital


Edição 1308 | por Ana Julia Storti Rosendo | 3 de outubro de 2024



(Foto de Vojtech Okenka – Pexels)(Foto de Vojtech Okenka – Pexels)


A Desinformação é, no século XXI, um dos problemas sociais mais graves enfrentados pela população. Grande parte da sociedade tem seus pensamentos, ideias e ideais moldados pelas Fake News, sem ao menos saber o poder das notícias falsas sobre eles. Na pandemia de Covid-19, por exemplo, em 2020, vimos como informações inverídicas, distorcidas ou mal apuradas podem levar uma nação inteira ao pânico.

Podemos afirmar que vivemos a Era da Desinformação. O principal ingrediente que alimenta, dia após dia, a sobrevivência dessa patologia social são as redes sociais, que, se analisadas apenas como um meio de entretenimento, parecem inofensivas – ou, pelo menos, passam essa imagem a seus usuários.

O mundo globalizado faz com que as pessoas estejam cada vez mais conectadas entre si, por meio da internet. Nas redes sociais, os conteúdos se espalham exponencialmente e chegam ao outro lado do mundo em questão de segundos. Não podemos dizer que isso seja uma característica integralmente ruim – os avanços tecnológicos levaram o homem a lugares inimagináveis. Porém, pensemos criticamente, fora da caverna: as redes sociais são terras sem dono.

Apesar de políticas de privacidade e regulamentos dos apps, em nossos perfis e páginas pessoais podemos postar tudo o que desejamos e acreditamos. Ao mesmo tempo que somos autores de nossos feeds, somos bombardeados por informações de todos os cantos: páginas oficiais, sites de fofoca, amigos e familiares que seguimos nas redes sociais. Temos contato com conteúdos diversos, de forma simples, rápida e, muitas vezes, convincente e apelativa. As questões que nos perseguem são: podemos acreditar em tudo o que vemos? Qual arma podemos usar contra a alienação que tenta nos dominar todos os dias? Qual profissão e quais profissionais temos ao nosso favor em defesa da verdade?

Acredito que a resposta seja o Jornalismo. Talvez essa seja a missão mais humana desses profissionais: informar a todos, sejam eles quem forem, a verdade – e somente isso. Como campo profissional, o Jornalismo perdeu força e espaço nas últimas décadas, por conta das redes sociais que chegaram ganhando fãs a cada esquina. Porém, jornalistas dedicam um cuidado ímpar à informação. Diferentemente do que ocorre na internet, onde um conteúdo é postado para ganhar curtidas, comentários e viralizar a todos os cantos, para o Jornalismo, a informação é algo que, antes de circular, requer cuidados – para proteger seus próprios leitores.

Para jornalistas, todas as informações que chegam, por diferentes meios, dos mais ao menos prestigiados, devem ser analisadas, confirmadas e, então, entregues ao público, seja pela televisão, sites ou redes sociais, ou, até mesmo, em jornais impressos.

Mais do que o Jornalismo em seu sentido amplo, pensemos na importância do Jornalismo Local ou Regional. Muitas vezes, os veículos ou mídias de massa não conseguem apurar situações e informações que circulam em contextos mais específicos, como pequenos municípios; as informações que atingem maior quantidade da população acabam sendo as mais disseminadas.

A valorização do Jornalismo Local prova sua importância neste momento; não apenas para espalhar informações verídicas e importantes para toda a população, mas também com seu poder de cobrar políticas públicas que sejam direitos de todos os cidadãos e cidadãs. Muitos municípios brasileiros, de acordo com o Atlas da Notícia, ainda são considerados Desertos de Notícias, ou seja, não têm um veículo jornalístico profissional para informar os fatos à população.

Em contextos desse tipo, o que vemos é a criação de redes sociais não oficiais para informar a sociedade sobre o que se passa no bairro, na cidade ou na região. Vemos que o Jornalismo profissional, mais uma vez, perde espaço para sujeitos não profissionais que se acham capazes de apurar os fatos que ali ocorrem.

Sem toda a bagagem que um jornalista profissional carrega consigo, não temos uma atividade jornalística concreta. O que vemos são especulações feitas sobre um ocorrido, sem a checagem que informações requerem antes de serem publicadas e, ainda, a exposição de algumas situações que, até mesmo o Jornalismo profissional repensaria a publicação.

A importância do Jornalismo Local profissional vem juntamente com toda a ética, seriedade e compromisso com a Verdade que precisamos encontrar em meio à Era da Desinformação. Não se pode mais negar que as redes sociais são espaços de informação, porém saibamos como consumir os conteúdos aos quais somos expostos; devemos saber qual a procedência – quem publicou e se, realmente, determinada página é a representação de um Jornalismo de qualidade, daquilo que estamos lendo, antes de tomá-lo como verdade.

Apenas dessa forma poderemos pensar na possibilidade de conter o avanço de fake news, que trazem cada vez mais consequências perigosas à sociedade, como o negacionismo a outras ciências.

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Ana Julia Storti Rosendo é estudante de Letras – Português e Inglês na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Interessa-se pela área de Comunicação e Jornalismo, com experiência em Jornalismo On-line e projetos sobre a multimodalidade em textos jornalísticos, além da importância do Jornalismo Local em Desertos de Notícias.

Estudante de Letras – Português e Inglês na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Interessa-se pela área de Comunicação e Jornalismo, com experiência em Jornalismo On-line e projetos sobre a multimodalidade em textos jornalísticos, além da importância do Jornalismo Local em Desertos de Notícias.



quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Pensamentos sobre música e Comunicação



Por Camila Melo Ferrareli, para Coletiva.net 14/08/2024 18:17


Pequenos pensamentos sobre música e comunicação, um texto escrito por alguém que ama música e só sabe falar sobre esse assunto, só para complementar o título do artigo. Agora, iniciando de fato essa escrita, me pergunto: será que existe algum comunicador que não é apaixonado por música, filmes, séries ou cultura pop em geral? Por comunicador, me refiro aos jornalistas, publicitários e relações públicas que entram na graduação com o sonho de viver da sua arte, mas acabam tendo as redações, agências ou empresas tradicionais como postos de trabalho. A relação entre cultura e comunicação é muito próxima, e sim, estou tirando essa afirmação da minha cabeça, mas sei que essa é a minha história e a de tantos outros colegas que chegaram na comunicação com os mesmos interesses. Mas a verdade é que outros fatores nos levam a falar que essa relação é definitivamente real. Há algumas semanas, estava lendo um artigo e o tema me despertou novamente essa curiosidade: as plataformas de streaming de áudio são os novos "porteiros" do mercado musical. Era um texto científico escrito por dois pesquisadores italianos e eles afirmavam que, antigamente, o termo "porteiro" era usado para os editores das redações, as pessoas que definiam a entrada de cada assunto nos seus veículos, de acordo com as verticais ali abordadas. Até aí tudo bem, mas e a música? Os "porteiros" hoje em dia são os editores das playlists das plataformas de streaming. Eles ainda afirmam que a pessoa mais influente do mundo em 2019, na época do texto, era o editor chefe da playlist Rap Caviar, o indivíduo que precisa ouvir o seu som caso você esteja almejando sucesso na música. Ok, entendendo o que são os porteiros, acaba aí a relação entre música e comunicação? Não, esse é só mais um ponto de ligação não somente entre os assuntos, mas também entre o dia a dia e as funções que cada setor exerce. Mas voltando à curadoria, outra coisa me chama a atenção: a música é tratada como uma notícia, que precisa seguir alguns critérios para ser veiculada, como a novidade e a relevância. E é apenas nesse sentido que acredito que a curadoria das plataformas de streaming se distancia dos meios tradicionais de comunicação, pois sabemos que não é possível viver apenas de novidades e que a relevância é variável para cada ouvinte. Ainda sobre a novidade, outro ponto me chama a atenção e toma os meus pensamentos com frequência. Há uns dois anos, li uma matéria que dizia que as músicas antigas (de catálogo) seriam o material mais consumido nas plataformas de streaming nos próximos anos, e isso aconteceu bem mais rápido do que o previsto. Pare e pense em quantas canções antigas você ouviu num Reels ou num TikTok ultimamente. Pode até ser uma nova versão, mas eu aposto que a maioria foram músicas que você já conhecia, e você vai buscar por ela novamente na sua plataforma de streaming. E o que isso tem a ver com a comunicação? Tudo. Vivemos em um mundo imerso nas redes sociais, com muitas coisas novas surgindo a cada momento, mas cada vez mais temos a certeza de que o que é bom, de qualidade, sempre dura: a volta das faixas de catálogo, a necessidade de se ter uma boa curadoria, independente do canal e, por fim, essa geração de comunicadores que chegam ao mercado de trabalho com essa sede de arte. E eu espero que essa relação entre cultura pop e comunicação nunca mude, pois acredito fielmente que essa é uma das coisas mais lindas de se ver e se viver. A criatividade é uma das maiores virtudes que podemos ter e estar alimentado de arte é o que dá a beleza em tantas tarefas que exercemos no nosso cotidiano enquanto comunicadores.


Camila Melo Ferrareli é executiva de mídia digital na HOC e Doutoranda em Indústria Criativa


camilamferrareli@gmail.com

domingo, 17 de dezembro de 2023

Um Manual para ler Notícias


23 jul 2014 | Emilio Coutinho

Livro “The news: A user’s manual” (Notícias: Um manual do usuário), escrito por Alain de Botton. Foto: Divulgação.


O filósofo e escritor suíço-britânico Alain de Botton, lançou recentemente o livro “The news: A user’s manual” (Notícias: Um manual do usuário). Em sua obra, De Botton, parte do pensamento de que a notícia ocupa na sociedade uma posição antes pertencente à religião. “Lemos notícias quando acordamos e quando vamos dormir”, afirma. “Certamente estamos numa época em que iniciamos o domingo lendo notícias em vez de ir à igreja”, completa.

Em seu livro o filósofo apresenta algumas dicas para os leitores que desejam aproveitar as notícias sem cair em suas armadilhas. Veja abaixo as principais delas:


01 – Tenha um motivo para ler: Quando lemos as notícias por passatempo, deixamos de pensar sobre as informações que recebemos e aproveitamos muito pouco do que lemos. Para fugir desse problema, o autor aconselha que façamos a nós mesmos duas perguntas antes de ler uma notícia: o que queremos saber e por quê?


02 – Enfrente seu tédio: Normalmente as notícias mais importantes são as mais áridas e de difícil absorção. No entanto, se damos atenção apenas para as reportagens de leitura mais fácil, continuaremos desinformados, mesmo após horas dedicadas as leitura de notícias.


03 – Tente aprender algo: Sempre após ler uma notícia, questione a si mesmo sobre o que aquela matéria agregou em você. Caso não lhe tenha servido para aprender nada, é bem provável que esteja lendo as notícias erradas ou as lendo superficialmente.


04 – Seja seu próprio editor: Os critérios utilizados por editores de jornais para selecionar os fatos mais importantes muitas vezes seguem os princípios editoriais de cada publicação. É claro que há notícias que por si só já são manchetes e portanto de interesse de todos, mas não podemos nos esquecer dos nossos interesses pessoais. Devemos procurar as informações que nos interessam, ainda que elas estejam no pé da página. Somos os livres para buscar o conteúdo que desejamos consumir.


05 – Acompanhe as grandes histórias: O jornalista é o historiador do presente. Através do seu ofício ele registra para as futuras gerações os acontecimentos que marcaram a história de um país ou mesmo do mundo. A maior parte das notícias que lemos não são senão, trechos de de narrativas bem maiores que no futuro serão compiladas por historiadores. Portanto devemos acompanhar as notícias diariamente como uma novela, ou mesmo como um quebra-cabeça que aos poucos vai revelando novas peças.


06 – Pense como um estatístico: O jornalismo se baseia em acontecimentos atípicos. Prova disso é o velho ditado conhecido nas redações: “Se um cachorro morde uma pessoa, não é notícia. Se uma pessoa morde um cachorro, aí sim é notícia”. Se nos basearmos apenas nas notícias publicadas nos jornais para formar nossa visão de mundo, teremos uma visão aterradora da atualidade. Portanto, tenhamos cuidado com as notícias que lemos diariamente.


07 – Busque bons exemplos: Apesar de nos apresentar as famosas Bad news (más notícias) o jornalismo também, ainda que em baixa escala, nos mostra Good News (Boas notícias). Pessoas que praticam boas ações, que vencem seus medos, que são bem-sucedidas, entre tantos outros exemplos, acabam tendo seu espaço nas notícias diárias. Nelas devemos nos espelhar e assim aprender a viver melhor.


08 – Não seja uma máquina de indignação: Não adianta ficarmos indignados por determinadas notícias ou declarações e não fazermos nada. Dessa forma nos tornamos verdadeiras máquinas de indignação em série, utilizadores compulsivos do CAPS LOCK, produtores de comentários agressivos e mal-educados. “As notícias deveriam nos ajudar a ter raiva pelos motivos certos, e a transformá-la em algum projeto construtivo”, ressalta Botton.


09 – Lembre-se das notícias de ontem: A novidade é uma das qualidades que uma informação deve ter para se tornar notícia nos principais jornais de um país. Entretanto, casos que até ontem eram sumamente importantes, desaparecem do noticiário no dia seguinte simplesmente por não ter sido descoberto nada de novo. É importante ficarmos sempre de olhos abertos e nos perguntarmos o motivo desses desaparecimentos repentinos.


10 – Não terceirize suas opiniões: o mito da imparcialidade jornalística sempre quis mostrar que o jornalista, apesar de ser um formador de opinião, apenas mostra para o leitor os dois lados de um caso e deixa para que cada um tire suas próprias conclusões. É claro que isso é uma verdadeira utopia, pois o simples fato de selecionar aquela notícia ou aquele entrevistado, já é um julgamento de valor. O importante mesmo é ler opiniões favoráveis e contrárias sobre um determinado assunto, pois assim você pode criar uma opinião mais equilibrada e instruída.


11 – Saiba quando se desconectar: Há dias em que as notícias não trazem nada de relevante ou original. Nessas ocasiões é mais produtivo procurar algo melhor para ler. Apesar de não podermos abandonar as notícias de vez, de vez em quando é bom sentir o prazer de estar desinformado por algumas horas. “Para ter uma vida fértil, é necessário reconhecer os momentos em que as notícias não têm nada importante ou original para nos ensinar”, afirma Botton.



* Artigo baseado em matéria escrita por Danilo Venticinque na Revista Época.