Em
ano eleitoral, será preciso superar o atraso e disputar a internet com a
ultradireita, sugere o Dicionário Marielle Franco. Teia de mídias
alternativas será crucial na batalha para desbaratar fake news e
articular a resistência das periferias
Por Luisa Santiago | Publicado 20/04/2022 às 17:16 | Atualizado 20/04/2022 às 17:18
“A potencialidade política da internet ainda não chegou a muitos processos de resistência” – alerta o verbete sobre a Teia de Comunicação Popular do Brasil,
no Dicionário de Favelas Marielle Franco. Em tempos de “pós-verdade”,
onde bastam pouco cliques para que se multiplique a desinformação
promovida pelas “fake news”, a frase chama atenção para uma das
principais pautas a serem reforçadas na contemporaneidade: mais do que
nunca, é preciso fortalecer, apoiar e qualificar as iniciativas
faveladas e periféricas no campo da comunicação popular contra-hegemônica.
Embora
ainda pouco conhecidas pelo grande público, as iniciativas de
comunicação popular de favelas e periferias têm uma extensa trajetória
histórica, que vai desde a produção por mimeógrafos – como foi a da Revista Nós,
da Cidade de Deus, entre 1977 a 1980 – à realização de pesquisas
locais, com produção de dados e outros insumos audiovisuais para
disputar narrativas com a imprensa formal e o próprio Estado sobre o que
acontece, de fato, nas favelas. Esse é o objetivo, por exemplo, do LabJaca – Favela Gerando Dados, criado em 2020 na favela do Jacarezinho, zona norte do Rio de Janeiro.
Tais
iniciativas, portanto, não se propõem apenas a comunicar, mas também a
organizar politicamente seus(as) leitores(as) para percepção, crítica e
transformação da realidade em que vivem. No contexto de dois anos de
combate à pandemia de covid-19 no Brasil, por exemplo, o Dicionário de
Favelas Marielle Franco buscou contribuir para essa luta histórica,
apoiando os coletivos envolvidos na produção de informação popular sobre
a emergência sanitária, e reuniu pesquisas, reportagens, fotos, vídeos,
comentários, artigos, ensaios e reflexões acadêmicas sobre os impactos
do coronavírus nas favelas. No âmbito desse projeto, foi possível construir uma base de dados aberta com 783 notícias sobre coronavírus nas favelas,
ordenadas segundo os tipos de veículos onde foram publicadas – mídia
comunitária, imprensa comercial, imprensa alternativa (que não
necessariamente possui vinculação territorial) e portais institucionais
públicos e privados.
Neste período de enfrentamento às políticas
da morte e aos negacionismos, a articulação comunitária na produção de
dados sobre os territórios ganhou destaque, como no Painel Covid-19 Santa Marta, iniciativa dos irmãos Thiago e Tandy Firmino; no Painel Unificador Covid-19 nas Favelas, que reúne diversas ações em todo o Brasil numa iniciativa da rede de Comunidades Catalisadoras (ComCat); e no projeto Diário da Pandemia na Periferia, realizado pelo Núcleo Piratininga de Comunicação.
Ainda sobre a discussão a respeito das “fake news” em saúde, o
Dicionário de Favelas Marielle Franco apoiou a realização de um projeto de extensão
junto à Universidade Federal Fluminense (UFF) e ao Pré-vestibular
Machado de Assis, no Morro da Providência, com o objetivo de desenvolver
ações pedagógicas junto aos moradores dentro da perspectiva da educação
popular em saúde. Essas iniciativas buscaram não somente lançar luz
sobre as experiências da pandemia nestas localidades, mas
fundamentalmente modificar o enquadramento por meio do qual essas
questões estavam sendo enfrentadas. Como parte da luta por direitos de
cidadania, essas ações apontaram no sentido da valorização das potências
emergentes desses territórios e de suas populações.
Apesar do
luto e das milhares de vidas perdidas no país, avançada a vacinação pelo
SUS, o objetivo estratégico que se impõe a esse novo momento político é
o de manter ativa essa ampla rede de coletivos, ativistas e atores
vinculados à comunicação popular em favelas e periferias, sobretudo
diante dos novos desafios, como por exemplo, a vocalização de suas
demandas no debate que envolverá as eleições nacionais de 2022. Por
isso, uma das prioridades de atuação do Dicionário de Favelas Marielle
Franco neste ano tem sido o fomento de uma rede de parceiros ligados à
comunicação e produção audiovisual sobre favelas e periferias, dentre
eles o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em
Saúde e a VideoSaúde – ambos da Fiocruz –, a Revista de Comunicação
Dialógica, o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e a Faculdade de
Educação da Baixada Fluminense – todos da Universidade do Estado do Rio
de Janeiro.
No âmbito desse grupo, o Dicionário de Favelas Marielle Franco juntou-se ao Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC),
instituição de prestígio e com uma longa trajetória de mais de 25 anos
de organização dos trabalhadores e trabalhadoras no campo da
comunicação, para promover conjuntamente o 24º Curso de Comunicação
Popular do NPC, no Rio de Janeiro, entre abril e setembro deste ano. No curso que, desde 2004, forma lideranças como Gizele Martins,
jornalista do Complexo da Maré, e Euro Mascarenhas, jornalista do Rio
On Watch, estuda-se comunicação, na teoria e na prática, mas não só.
Estuda-se a história e a realidade vivida no Rio de Janeiro por
trabalhadores e trabalhadoras, mediadas pelo compartilhamento de suas
experiências.
Além de reunir, formar e organizar esses(as) comunicadores populares(as) – como conta o livro “Experiências em Comunicação Popular no Rio de Janeiro”, lançado em 2016, e no “Almanaque da Comunicação e Sindical e Popular no Rio de Janeiro”, lançado na abertura do curso deste ano, é importante destacar que o NPC foi o idealizador da Teia de Comunicação Popular do Brasil,
lançada em 2018, no Fórum Social Mundial, em Salvador. Reunindo
iniciativas de todo o país, seu objetivo é fortalecer a comunicação
daqueles que lutam por direitos, terra, moradia, trabalho, cultura,
arte, respeito, dignidade, pelo meio ambiente e pela vida. Mais detalhes
podem ser encontrados no verbete escrito por Luisa Santiago, do Núcleo
Piratininga de Comunicação, e reproduzido abaixo. (Introdução e seleção:
Equipe do Dicionário de Favelas Marielle Franco).
Teia de Comunicação Popular do Brasil
A Teia de Comunicação Popular do Brasil, idealizada pelo Núcleo Piratininga de Comunicação
(NPC), busca identificar fios que se entrelaçam, tecendo, juntando e
compondo uma rede de solidariedade entre diferentes experiências de
comunicação contra-hegemônica, espalhadas pelo Brasil. Foi lançada no
Fórum Social Mundial 2018, em Salvador.
O objetivo é produzir e
compartilhar as histórias das lutas e da vida das trabalhadoras e dos
trabalhadores do país. O povo, organizado em seus territórios, ainda
carece muito de comunicação. A potencialidade política da internet ainda
não chegou a muitos processos de resistência. Abriu-se um novo campo de
possibilidades, mas também cheio de complexidades e com a tendência de
apenas reproduzir a estrutura de dominação do capitalismo presente nos
meios de comunicação de massa. Isso em conjunto com um profundo avanço
do grande capital, do ataque a conquistas históricas dos trabalhadores,
da crescente violência contra periferias, camponeses, povos e
comunidades tradicionais, contra os direitos humanos e nossa frágil
democracia.
O desafio e a proposta é fortalecer a comunicação
daqueles que lutam por direitos, terra, moradia, trabalho, cultura,
arte, respeito, dignidade, pelo meio ambiente e pela vida.
A
Teia, nesse sentido, é uma estratégia para fazer com que tudo isso
chegue da forma mais organizada possível à opinião pública e a todas e
todos que querem um mundo melhor, mais justo e mais igualitário. Ela
pode ser acessada por meio da plataforma http://teiapopular.org/
Compõem
a Teia de Comunicação Popular do Brasil: Agência Abraço Brasil; Agência
Tambor (MA); CDD Vive (RJ); Jornal A Notícia Por Quem Vive (RJ); Centro
Sabiá (PE); Furo (PA); Jornal Abaixo Assinado (RJ); Jornalismo B (RS);
NPC (RJ); Outras Palavras;
Rádio Classista (CE); Terra Sem Males (PR); Vias de Fato (MA); Voz das
Comunidades (BA); Vozes das Comunidades (RJ) – entre outros.
Consideramos
a existência dessas diversas iniciativas alternativas para disputa da
narrativa junto à sociedade, como coletivos populares e sindicatos, e a
nossa responsabilidade como ativistas da comunicação popular há quase 25
anos – com contatos em todo o país –, nos vimos diante de uma
conjuntura política assustadora para o campo social e instigados a criar
a Teia da Comunicação Popular do Brasil.
O Manifesto
A
palavra teia nos remete a um emaranhado de fios. Ao propor a
organização de uma, o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) quer
identificar fios que irão se entrelaçar, tecendo, juntando e compondo
uma rede de solidariedade entre belíssimas e diferentes experiências de
comunicação contra-hegemônica, espalhadas pelo Brasil.
Vamos
entrelaçar ideias! Compor e compartilhar as histórias de trabalhadoras e
trabalhadores do país. Vamos tramar uma estratégia para fazer com que
tudo isso chegue da forma mais organizada possível a opinião pública e a
todas e todos que querem um mundo melhor, justo e igualitário.
É
com esse objetivo ousado, mas extremamente urgente e necessário, que
lançamos no Fórum Social Mundial 2018, em Salvador, a Teia da
Comunicação Popular do Brasil. Após quase 25 anos de caminhada do Núcleo
Piratininga Comunicação (NPC), e diante da difícil conjuntura que o
nosso país enfrenta hoje, nós queremos fazer nossa parte.
Reconhecemos
nossa possibilidade e responsabilidade nesse momento de profundo avanço
do grande capital, do ataque a conquistas históricas dos trabalhadores,
da crescente violência contra periferias, camponeses, povos e
comunidades tradicionais, direitos humanos e nossa frágil democracia.
Queremos mapear experiências de comunicação populares espalhadas pelo Brasil, ligadas a processos sociais de resistência.
Queremos
estimular a articulação de diversas experiências de comunicação
popular, para uma ação que permita ampliar a visibilidade e fortalecer
os processos de insurgência e de lutas sociais que ocorrem em diferentes
regiões do país, criando uma rede de solidariedade, para incentivar e
apoiar a produção de comunicação popular.
O povo organizado, em
seus territórios, ainda carece muito de comunicação. A potencialidade
política oriunda da internet ainda não chegou a muitos processos de
resistência. O desafio é fortalecer a comunicação daqueles que lutam por
direitos, terra, moradia, trabalho, cultura, arte, respeito, dignidade,
pelo meio ambiente, pela vida.
Por isso, consideramos necessário
esse processo de articulação e mobilização, para expandir a força e/ou
tirar do isolamento as diferentes experiências de luta social.
E
queremos que você ajude o NPC a criar a Teia de Comunicação Popular do
Brasil. Com a sua importante participação e colaboração, somada a nossa
experiência com inúmeros cursos de formação e milhares de contatos em
diversos pontos do país, chegaremos lá.
Resistir e criar! Resistir é transformar! Vamos juntos!
Salvador, 15 de março de 2018
As experiências
Abraço Brasil
Agência
Abraço de Comunicação Comunitária é uma instituição criada em 2005 para
a produção e distribuição de conteúdos radiofônicos de interesse das
comunidades atendidas pelas cerca de 5 mil rádios comunitárias do
Brasil.
As políticas públicas, as campanhas de interesse social, o
dia a dia, a rotina, os fatos que muitas vezes são ignorados pela
imprensa tradicional e que são muito importantes para as pessoas de
determinada região ou bairro. É a proximidade da informação com foco no
interesse do cidadão e das suas necessidades.
Missão: A missão da
Agência Abraço é democratizar o acesso à informação, produzindo e
distribuindo notícias, matérias, conteúdos e serviços de interesse
social para o cidadão e para as comunidades de maneira mais direta e que
realmente sejam de interesse dos moradores de uma determinada região. É
levar o serviço de informação para a comunidade de maneira clara,
simples e ágil. É a democratização da informação de forma independente e
avançada para a conquista da luta de todos por melhores condições de
vida na comunidade.
Agência Tambor
A
Agência Tambor é uma ação de apoio a comunicação livre, popular,
comunitária e alternativa. Fundada em março de 2018, é uma iniciativa da
Sociedade Maranhense de Mídia Alternativa e Educação Popular Mutuca, em
parceria estratégica com a Associação Brasileira de Rádios Comunitária
no Maranhão (Abraço-Ma), com o Sindicato dos Bancários do Maranhão
(SEEB-MA), Jornal Vias de Fato e outras organizações sociais.
A
Tambor tem uma Rádio Web, que pode ser acessada no site
agenciatambor.net.br. De segunda a sexta é produzido o Jornal da Tambor,
um rádio-jornal, com uma hora de duração, sempre a partir das 11h.
A
Agência é um espaço para produção de conteúdo jornalístico. Um
instrumento comprometido com a luta das trabalhadoras e trabalhadores do
campo e da cidade, dos povos e comunidades tradicionais, por um
movimento sindical forte e independente, pela defesa permanente dos
direitos humanos, pelo combate ao machismo, racismo, homofobia, com o
compromisso com os povos e comunidades tradicionais, pela preservação do
meio ambiente e pelo respeito e estimulo à arte e a cultura.
Trata-se
de uma ação em favor da democratização da comunicação do Brasil. Uma
ação a partir do Maranhão, estado brasileiro com a maior concentração
midiática do país. O projeto da Agência Tambor amadureceu e ganhou força
a partir do I Seminário Comunicação e Poder no Maranhão, realizado em
São Luís, em outubro de 2017.
O seu nome é uma homenagem à
comunicação quilombola, que em vários casos recorre ao toque dos
tambores para reunir as comunidades e dar as notícias necessárias.
Blog Buliçoso
Sob
a responsabilidade da jornalista maranhense Flávia Regina Melo, âncora
da rádio web Tambor, o blog Buliçoso é um projeto editorial que, a
propósito do nome, surgiu de uma profunda inquietação diante da
abordagem reducionista em certo modo industrial de noticiar. Interpretar
e ir muito além dos fatos, considerando que por trás de cada manchete
ou postagem existe uma infinidade de questões ocultas ou negligenciadas
pela comunicação hegemônica, são os elementos norteadores da página. O
blog adota o provocante slogan “notícia não tem pernas curtas”, em
referência direta ao momento difícil vivido pelo jornalismo, em tempos
de pós-verdade, fake news e de um limite cada vez mais esgarçado entre
opinião x boatos. Porém, em defesa permanente da busca pela enorme
variedade de questões e subtemas ocultos em cada matéria jornalística
sobre homicídios, chacinas, surtos de doenças, catástrofes e outros,
inclusos nos pacotes de problemas da atualidade. Bulir, que significa
“mexer”, “mover-se”, é ir além da notícia porque ela não tem pernas
curtas!
Blogue do Ed Wilson
Jornalismo
com artigos, reportagens, crônicas e notas sobre temas locais, nacionais
e internacionais. Resenhas, dicas e outros toques… O blogue é editado
por Ed Wilson Araújo, jornalista, doutor em Comunicação (PUCRS),
professor do curso de Rádio e TV da Universidade Federal do Maranhão
(UFMA). Presidente da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias do
Maranhão (ABRAÇO-MA).
Brasil de Fato
O
Brasil de Fato (BdF) é um site de notícias e uma radioagência, além de
possuir jornais regionais no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, em São
Paulo, no Paraná e em Pernambuco. Lançado em 25 de janeiro de 2003, o
BdF circulou por mais de dez anos com uma versão impressa nacional.
Por
entenderem que, na luta por uma sociedade justa e fraterna, a
democratização dos meios de comunicação é fundamental, movimentos
populares criaram o Brasil de Fato para contribuir no debate de ideias e
na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças
sociais em nosso país.
O primeiro veículo da rede Brasil de Fato
foi o semanário nacional, lançado no Fórum Social Mundial de Porto
Alegre, em janeiro de 2003. Logo após, foi lançado o site do Brasil de
Fato, com coberturas das lutas sociais, entrevistas e notícias sobre
política, economia, direitos humanos e cultura, sob uma visão popular
das cidades, do Brasil e do mundo.
Os jornais regionais surgiram a
partir de maio de 2013 para promover uma aproximação com os leitores e
leitoras, além de dialogar com as realidades locais, e hoje o cenário
aponta para uma ampliação da cobertura, que deve alcançar ainda mais
estados do país.
Em 2014, o BdF incorporou a Radioagência
Notícias do Planalto (NP), que atuava há dez anos na produção
radiofônica de notícias. As matérias da Radioagência Brasil de Fato, em
áudio e texto, são enviadas para rádios de todo o país e também estão
disponíveis no site. Os temas tratados são de política, economia,
direitos humanos, cotidiano e cultura, além de produções de serviços.
Plural e diversificado, o BdF reúne jornalistas, articulistas e movimentos populares do Brasil e do mundo.
Além
do site, da Radioagência e das edições impressas, o Brasil de Fato
circula pelas redes sociais, por Facebook, Twitter, Youtube, Flickr e
SoundCloud.
Todos os conteúdos do Brasil de Fato podem ser reproduzidos livremente, sempre citando a fonte e publicados na íntegra.
CDD Vive
O Jornal CDD Vive é feito por moradores da Cidade de Deus, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro. [em construção]
Centro Sabiá
O
Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá é uma organização não
governamental com sede no Recife, Pernambuco, fundada em 1993, que
trabalha para promoção da agricultura familiar dentro dos princípios da
agroecologia. Desenvolvendo e multiplicando a Agricultura Agroflorestal,
também conhecida como Agrofloresta ou Sistemas Agroflorestais.
Juridicamente é uma associação civil de direito privado sem finalidade
econômica, de natureza técnico-ecológica e educacional.
Missão: “Plantar mais vida para um mundo melhor, desenvolvendo a agricultura familiar agroecológica e a cidadania”.
A
missão do Centro Sabiá expressa o desafio de interagir com os diversos
setores da sociedade civil, desenvolvendo ações inovadoras junto ao
trabalho com crianças, jovens, mulheres e homens na agricultura
familiar. Na perspectiva de que a sociedade viva em harmonia com a
natureza e seja consciente, autônoma e participativa na construção de um
modelo de desenvolvimento rural sustentável.
Origem do nome: O
SABIÁ é um pássaro que simboliza bem a biodiversidade do planeta.
Existem mais de 300 espécies dele em todo o mundo. No Brasil, esse
pássaro está presente em todas as regiões, habitando nas matas e também
nas cidades. A sobrevivência dele, em diferentes ambientes, deve-se a
uma dieta diversificada composta por frutos, pequenos insetos, restos de
comidas e minhocas. O pássaro possui um dos mais belos e intensos
cantos.
A SABIÁ é uma árvore nativa da Caatinga, do Nordeste
brasileiro, que se adapta bem a outros climas e regiões do Brasil. Ela
ganhou esse nome por ter a cor do caule muito parecida com a do pássaro.
É uma árvore que possui variedades, algumas têm espinho e outras não. É
indicada para enriquecer e recuperar solos degredados. É uma árvore
bastante querida por quem cuida da agricultura e do meio ambiente.
CIMI
O
Cimi é um organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil) que, em sua atuação missionária, conferiu um novo sentido ao
trabalho da igreja católica junto aos povos indígenas.
Criado em
1972, no auge da Ditadura Militar, quando o Estado brasileiro adotava
como centrais os grandes projetos de infraestrutura e assumia
abertamente a integração dos povos indígenas à sociedade majoritária
como perspectiva única, o Cimi procurou favorecer a articulação entre
aldeias e povos, promovendo as grandes assembleias indígenas, onde se
desenharam os primeiros contornos da luta pela garantia do direito à
diversidade cultural.
Comissão Pastoral da Terra
A
Comissão Pastoral da Terra (CPT) nasceu em junho de 1975, durante o
Encontro de Bispos e Prelados da Amazônia, convocado pela Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizado em Goiânia (GO). Foi
fundada em plena ditadura militar, como resposta à grave situação vivida
pelos trabalhadores rurais, posseiros e peões, sobretudo na Amazônia,
explorados em seu trabalho, submetidos a condições análogas ao trabalho
escravo e expulsos das terras que ocupavam.
Nasceu ligada à
Igreja Católica. O vínculo com a Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB) ajudou a CPT a realizar o seu trabalho e a se manter no
período em que a repressão atingia agentes de pastoral e lideranças
populares. Logo, porém, adquiriu caráter ecumênico, tanto no sentido dos
trabalhadores que eram apoiados, quanto na incorporação de agentes de
outras igrejas cristãs, destacadamente da Igreja Evangélica de Confissão
Luterana no Brasil – IECLB.
O que a CPT objetiva: A CPT foi
criada para ser um serviço à causa dos trabalhadores e trabalhadoras do
campo e de ser um suporte para a sua organização. O homem e a mulher do
campo são os que definem os rumos a seguir, seus objetivos e metas. Eles
e elas são os protagonistas de sua própria história. A CPT os
acompanha, não cegamente, mas com espírito crítico.
Jornal Popular do Movimento Fóruns e Redes de Cidadania do Maranhão
Fundado
após um enorme acúmulo de debate pelo Movimento Fóruns e Redes de
Cidadania do Maranhão, em dezembro de 2018 foi iniciado o projeto de um
jornal desvinculado das elites, que representasse o ponto de vista dos
trabalhadores e dos verdadeiros lutadores e heróis do nosso povo. A
cobertura dica delimitada ao Estado do Maranhão – onde o Diário de Luta
conta com o apoio e ajuda de milhares de militantes sociais do Fóruns e
Redes de Cidadania. O objetivo é fazer ressoar notícias de Movimentos
Sociais por todo o território nacional, assim como textos relativos à
realidade brasileira. O veículo parte de um compromisso com a imprensa
séria, ética e comprometida com os interesses verdadeiros do povo
brasileiro.
Logo, não se pretende um jornal imparcial: sim, o Diário de Luta tem lado! E é o lado do povo.
FURO
Furo
na geografia é o canal de comunicação entre um rio e seu afluente. No
jornalismo, é gol de placa, o fato noticiado em primeira mão. O blog
FURO, editado pelo jornalista Rogério Almeida, tem como objetivo ser um
canal de comunicação entre as quebradas da Amazônia e o resto do mundo.
Instituto Democracia Popular
O
Instituto Democracia Popular (IDP) foi fundado no final de 2013, em
Curitiba, a partir do acompanhamento da luta dos moradores do Ribeirão
dos Padilhas pela regularização fundiária. Trata-se de mais um dos
tantos casos de comunidades cujas vilas (e mesmos bairros inteiros)
foram construídos de maneira informal, dadas às dificuldades de acesso à
terra urbanizada no mercado imobiliário formal de Curitiba. Com a
resistência da comunidade, para qual o IDP colaborou intensamente,
deu-se o encontro do trabalhismo com as pautas urbanas.
O ponto
de convergência destes dois eixos – trabalho e acesso à cidade – é a
defesa de uma democracia participativa e popular. Terra, trabalho e
democracia fundaram a identidade e o escopo de atuação do Instituto, que
tem como mantenedor o escritório Filippetto Advogados e outras
parcerias de financiamento.
Jornal Abaixo Assinado
O
jornal Abaixo Assinado, de Jacarepaguá e das Vargens, no Rio de
Janeiro, é um veículo de resistência. Instrumento de informação e
formação, tem como objetivos estimular e auxiliar a organização e a
mobilização dos trabalhadores no seu local de moradia e de trabalho;
divulgar experiências comunitárias; debater as lutas e propostas do
movimento social; e promover a cultura popular.
Jornal Voz das Comunidades
O
Jornal Voz das comunidades – JVC –, como o nome já diz, nasceu para ser
porta-voz das experiências comunitárias. Experiências essas que quase
não são divulgadas na imprensa comercial (rádio, jornal e TV).
Esse
material é ligado ao MCP (Movimento das Comunidades Populares), e tem
como objetivo fortalecer as experiências Comunitárias Indígenas,
Quilombolas, Camponesas, Operárias (Trabalhadores Urbanos) e da
Juventude Popular, ou seja, construir uma Frente Popular a partir do
trabalho de base.
O jornal é publicado há mais de 10 anos. A
tiragem atual é de 3.500 exemplares. Essa publicação circula nas cinco
regiões do país, em mais de 20 estados. Temos colaboradores que surgem
nas próprias Comunidades do MCP, e outr@s que, por simpatizarem com a
linha editorial vão na prática divulgando o JVC nos seus espaços de
atuação. Passam a enviar relatos e até matérias. Fazem distribuição,
campanhas e conquistam novos leitores.
A orientação da direção do
JVC é organizar grupos de colaboradores nas comunidades, regiões,
estados. Na prática, hoje, temos grupos que se reúnem para discutir e
encaminhar tarefas do JVC em Pernambuco, Maranhão, Rio de Janeiro e
Bahia. Entre colaboradores individuais, permanentes, no último
levantamento, chegamos ao número de 35 companheir@aterraeredonda
Jornalismo B
O
blog Jornalismo B nasceu em outubro de 2007. Desde lá, com posts
diários, busca desconstruir o discurso da mídia dominante, com análises
equilibradas e a defesa intransigente da democratização da comunicação.
A
pauta fundamental é o fortalecimento da mídia alternativa e a luta pela
democracia na comunicação, com o direito à voz estendido a toda a
população, encerrando o monopólio discursivo exercido por apenas onze
famílias em todo o país. O trabalho é conectado com diversos outros
espaços de mídia alternativa.
Em maio de 2010 nasceu o Jornalismo
B Impresso, como uma extensão desse projeto, reconstruindo o discurso a
partir de uma visão plural, popular e democrática. Com a colaboração de
diversos jornalistas, blogueiros e ativistas, construímos um jornal que
trata de Política, Mídia, Cultura, História, Meio Ambiente e de outras
temáticas ligadas às lutas sociais mais importantes do nosso tempo.
O
jornal é financiado socialmente, com o apoio de quem acredita nas lutas
que defendemos e quer também atuar em defesa da mídia alternativa.
O
Jornalismo B Impresso circula quinzenalmente de forma gratuita em Porto
Alegre, e pode ser assinado em qualquer lugar do Brasil, tendo hoje
assinantes em quase todas as capitais do país e em diversas cidades do
interior. São 500 exemplares a cada quinzena, distribuídos em cafés,
restaurantes e centros culturais na região central da cidade, além de
todos os campi da UFRGS.
Núcleo Piratininga de Comunicação
O
NPC é constituído por um grupo de comunicadores, jornalistas,
professores universitários, artistas gráficos, ilustradores e fotógrafos
que trabalham com o objetivo de melhorar a comunicação, tanto de
movimentos comunitários ou populares, quanto de sindicatos e outros
coletivos.
Temos realizado esta tarefa de forma ininterrupta há
mais de quatorze anos, principalmente através de cursos, palestras e
seminários e produção de materiais de formação e informação.
Acreditamos
que os trabalhadores e os setores populares precisam aperfeiçoar-se
constantemente em sua comunicação para alcançar seu objetivo de
construção de uma nova sociedade. Apresentamos a esses grupos sociais
nossos conhecimentos adquiridos por meio da nossa formação específica e
da nossa prática social.
As atividades do NPC remontam a 1992 e o
acúmulo destas culminou na sua formalização jurídica em 1997,
tornando-se uma organização civil sem fins lucrativos, legalmente
constituída, com sede no Rio de Janeiro e atuação nacional.
Temos
uma estrutura jurídica formada por uma Diretoria e um Conselho de
Membros do NPC em vários estados do País (Rio de Janeiro, São Paulo,
Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Ceará).
A estrutura do
NPC possui uma equipe técnica responsável pelo trabalho administrativo.
Contamos, também, com uma rede de mais de dez mil parceiros (na maior
parte ex-alunos dos nossos cursos) com quem trabalhamos ao longo de
nossa trajetória e com os quais estamos em constante contato, inclusive
por meio de um boletim quinzenal especializado em comunicação sindical e
popular.
Colaboramos, também, estreitamente com várias entidades
e movimentos co-irmãos seja realizando ações conjuntas, seja
solicitando ou oferecendo apoios pontuais.
Outras Palavras
Lançado
em 2009, o site Outras Palavras tornou-se uma referência importante na
galáxia da chamada “comunicação compartilhada” ou da “mídia livre”,
abordando uma temática pouco presente neste universo: o exame crítico da
globalização, as novas culturas políticas da autonomia e os movimentos
de ocupação das redes e das ruas. O reconhecimento veio logo, em 2010 o
site e as plataformas de redes sociais criadas em torno dele receberam,
do Ministério da Cultura o Prêmio Ponto de Mídias Livres.
A linha
editorial do site busca avançar naquilo que gostamos de denominar
“pós-capitalismo” por um lado frisando a obsolescência das lógicas
associadas ao sistema ainda hoje hegemônico (mercantilização da vida,
lucro como valor supremo, concentração de riquezas, redução da natureza a
“recurso”) e por outro iluminando propostas e alternativas que vem
surgindo em todos os planos da vida social.
Com audiência
expressiva, cerca de 10 mil textos lidos por dia, o site Outras Palavras
reúne um grupo de 200 colaboradores brasileiros e, entre eles, alguns
internacionais.
Semanalmente, o boletim de atualização de Outras
Palavras seleciona as principais matérias da semana alcançando cerca 20
mil assinantes [assine aqui].
Empenhado em diversificar os
formatos de um novo jornalismo compartilhado e colaborativo,
desenvolvemos projetos especiais paralelos às publicações diárias, tais
como coberturas colaborativas, webdocumentários, Séries especiais (de
Política e Desenvolvimento) e a Escola Livre de Comunicação
Compartilhada, que promoveu 40 oficinas de formação em midialivrismo,
empoderando com ferramental e tecnologia dezenas de jovens para o
exercício do jornalismo colaborativo.
Complementando a
horizontalidade proposta pelo Blog da Redação, o Outras Mídias é a nossa
seleção do melhor da mídia alternativa, é por meio dele que ampliamos o
acesso de nossos leitores a um conteúdo de altíssima qualidade e
diversidade, reunidos pela curadoria da equipe do Outras Palavras e para
aqueles que desejam aprofundar os temas mais caros ao site Outras
Palavras, criamos o Outros Livros, uma parceria com o Acervo
Antropofágico que traz uma seleção preciosa de títulos do mercado
editorial nacional e internacional.
Rádio Classista
A
Rádio Classista tem como princípio não divulgar práticas de desrespeito
às leis ambientais, às mulheres, crianças, aos jovens, idosos,
afrodescendentes, povos indígenas, povos ciganos ou a outros povos e
comunidades tradicionais, à população de baixa renda, às pessoas com
deficiência, às lésbicas, aos gays, bissexuais, travestis e transexuais,
ou que expresse qualquer outra forma de preconceito, religioso ou
incentivo ao uso de drogas.
Rádio SindCT
No
ar 24 horas por dia, a rádio web do SindCT possui uma programação
musical de altíssimo nível, retransmite o Jornal da ONU-Brasil, e mantém
um programa de entrevistas ao vivo, que acontece todas as segundas,
quartas e sextas-feiras, às 15 horas, com o radialista Paulo Silva.
Rádio Trabalhador
A
Rádio Trabalhador apresenta informações sempre do ponto de vista dos
trabalhadores, das trabalhadoras e dos movimentos sociais organizados do
campo e da cidade. Esse veículo é uma criação da Rede CUT de
Comunicação – Goiás.
Século Diário
O
Jornal Século Diário foi criado em maio de 2000. Com orientação
editorial independente e foco na interpretação dos fatos, o Século
Diário é leitura obrigatória para notícias do Espírito Santo.
Terra Sem Males
O
Terra Sem Males é um projeto que pratica o jornalismo independente.
Queremos uma comunicação popular e acessível para os trabalhadores e
trabalhadoras.
Nossa missão é dar voz e visibilidade às
populações e povos que são deixadas de lado pelos donos da mídia
convencional e atuar na defesa dos direitos humanos e dos trabalhadores.
Lutamos
pela democratização da comunicação, para que seja efetivamente uma
concessão pública de fato. E incentivamos a criação de novos espaços de
comunicadores e comunicadoras populares.
Apostamos na produção de
reportagens, sob o ponto de vista dos trabalhadores, com a valorização
das imagens como fonte de informação.
Nosso objetivo é ampliar o
acesso à comunicação popular. Contamos com uma estrutura que tem: site
de notícias, redes sociais e um jornal impresso, que é temático e com
distribuição gratuita.
Em 2016 o Terra Sem Males apareceu no Mapa do Jornalismo Independente, da Agência Pública.
Para
manter o projeto (site, viagens para reportagens, exposições
fotográficas, etc) vendemos fotos, temos espaços publicitários no site e
vamos criar um sistema de assinatura. Acreditamos que temos potencial
para crescer mais, com qualidade e compromisso. Para isto precisamos da
ajuda de vocês, leitores.
Vias de Fato
O Vias de Fato é um jornal de doze páginas, tamanho tabloide, que circula mensalmente no Maranhão.
Vozes das Comunidades
O
blog Vozes das Comunidades é alimentado por alunos do Curso de
Comunicação Popular do (NPC), que é realizado anualmente no Rio de
Janeiro com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo. Participam do curso
moradores de favelas ou ocupações, militantes sociais diversos,
jornalistas, estudantes e demais interessados em construir a comunicação
comunitária, aquela que dá voz a quem normalmente não possui espaço nos
meios tradicionais. Ao longo do curso aprendemos a importância de
construirmos uma mídia contra-hegemônica para construir um mundo mais
justo. Também temos aulas práticas de internet, redação, diagramação,
edição de vídeos etc.
https://outraspalavras.net/descolonizacoes/no-wikifavelas-a-potencia-da-comunicacao-popular/